Nilton Fukuda/Estadão
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Brasil melhora em ranking de inovação, mas não por mérito próprio

Na 66º posição em 2019, País foi para o 62º posto neste ano porque outros países caíram mais; além disso, pontuação brasileira diminuiu

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2020 | 06h00

O Brasil segue patinando no quesito de inovação e aparece na 62ª posição no Índice Global de Inovação (OGI), divulgado na manhã desta quarta-feira. O ranking tem 131 países e a posição brasileira subiu quatro degraus em relação ao ano passado, quando estava no 66º posto.

A mudança não ocorreu, porém, porque o Brasil melhorou, mas porque outros países tiveram desempenho pior, informa a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO, na sigla em inglês), que desenvolve o índice em parceria com a Universidade de Cornell e o Instituto Europeu de Administração de Empresas (Insead).

Segundo a entidade, que divulga a classificação desde 2017, a pontuação do Brasil caiu quando comparada com seu desempenho no ano passado. Os dez países mais bem colocados são Suíça, Suécia, Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Cingapura, Alemanha e Coreia do Sul. É a primeira vez que dois países asiáticos aparecem na lista dos dez mais inovadores, com a melhora dos sul-coreanos, que passaram da 11ª para a 10ª posição.

No ranking envolvendo apenas os 37 países da América Latina, o Brasil, apesar de ser a maior economia da região, ocupa o quarto lugar (57º), atrás de Chile, México e Costa Rica. Toda a região aparece como uma das mais mal classificadas no ranking, mostra a WIPO. 

Índice é ferramenta para decisões

O ranking é composto por 80 indicadores de 30 fontes internacionais públicas e privadas, das quais 58 representam dados concretos, 18 são indicadores compostos e quatro são perguntas de pesquisa. A pontuação em cada um dos indicadores é analisada e comparada entre os países, estabelecendo a posição no ranking para cada indicador.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), parceira na produção e divulgação do IGI, mesmo a 62ª posição para o Brasil é incompatível para a 9ª maior economia do mundo. “O Brasil melhorou, mas continua numa posição abaixo de seu potencial. Precisamos cada vez mais aprimorar os esforços entre setor produtivo, setor público e academia para melhorarmos a inovação no País”, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Ele lembra que o ranking tem fundamental importância para o País definir prioridades e estruturar políticas públicas de longo prazo e políticas corporativas voltadas para a agenda de ciência, tecnologia e inovação. A cada ano o índice se torna importante ferramenta quantitativa para auxiliar em decisões globais, estimular a atividade inovadora e impulsionar o desenvolvimento econômico e humano. 

Pandemia atrapalha

O relatório do IGI mostra ainda que a pandemia de covid-19 exerce forte pressão sobre os avanços na inovação mundial e tende a ser obstáculo para certas atividades inovadoras, mesmo que catalise a inventividade em setores como o da saúde.

Em nota, a CNI informa que, “se de um lado as empresas se veem com possibilidades escassas de investimentos, de outro precisam buscar alternativas para sobreviverem e manterem seus empregados. Daí a necessidade de ser criativo e apostar na inovação como um diferencial para sair mais forte da pandemia”.

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