Brasil melhora posição em ranking de competitividade

O Brasil deu um salto de competitividade durante a crise global, aponta o Fórum Econômico Mundial, em relatório divulgado hoje. Pela primeira vez, o País ultrapassou a Rússia e o México, atingindo a 56ª posição no ranking da entidade. Em apenas dois anos, a economia brasileira conseguiu avançar 16 posições no levantamento, que analisa 133 países. "A melhora na competitividade brasileira é fruto do seu setor empresarial inovador e sofisticado, do tamanho de seu mercado e da melhora na área de estabilidade macroeconômica", diz o documento.

DANIELA MILANESE, Agencia Estado

08 de setembro de 2009 | 10h58

O Fórum Econômico Mundial avalia que o caminho da sustentabilidade fiscal e as medidas tomadas para abrir a economia, desde 1990, criaram um ambiente mais favorável para o desenvolvimento do setor privado. Como principais vantagens, o relatório também aponta a sofisticação do mercado financeiro nacional, "um dos mais desenvolvidos da região". Todos os fatores analisados pelo ranking mostraram melhora em relação ao ano passado, com destaque para a eficiência, ponto do qual "o potencial de crescimento do Brasil depende criticamente em seu atual estágio de desenvolvimento".

No entanto, o Fórum também identificou fatores que continuam com avaliação negativa, como o ambiente institucional e o mercado de trabalho. "Além disso, apesar do maior foco dado pelo governo, o sistema educacional continua precisando seriamente de melhorias", registrou o relatório. Com o posicionamento obtido neste ano, o Brasil reduz a diferença de competitividade em relação a outros emergentes importantes, como a China (29º) e a Índia (49º), que subiram uma posição cada.

No caso da China, o crescimento acelerado da economia traz desafios, avaliou a entidade. "Como o país se move para uma posição desenvolvida, sua competitividade não pode mais ficar baseada somente no uso de fatores de produção baratos. Ela precisa se apoiar em ganhos de eficiência", afirma o relatório. A Rússia (63º) agora ocupa o pior lugar entre os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China). O país, fortemente abalado pela crise global, perdeu 12 posições no ranking em apenas um ano. O Fórum avaliou que uma recuperação da competitividade russa passa pela necessidade de mudanças estruturais. A interferência do governo no setor privado, a falta de independência da Justiça e as falhas na ética corporativa estão entre os principais problemas.

Na América Latina, o Chile (30º) continua liderando o levantamento, apesar da queda de quatro posições em dois anos. Conforme o Fórum, graças à política anticíclica adotada durante o boom das commodities, o país sul-americano pode agora, mais do que qualquer outro na região, estimular sua economia durante a crise. Em seguida aparecem, na América Latina, Porto Rico (42º), Barbados (44º) e Costa Rica (55º). O México ocupa a 60º posição.

O ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial analisa 12 quesitos: instituições, infraestrutura, estabilidade macroeconômica, saúde e educação primária, educação de nível superior e treinamento, eficiência do mercado de bens, eficiência do mercado de trabalho, sofisticação do mercado financeiro, preparo tecnológico, tamanho do mercado, sofisticação empresarial e inovação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.