Brasil multiplica superávit ao importar menos

O Brasil conseguiu, no 1º semestre de 2002, multiplicar por seis seu superávit no comércio com os Estados Unidos, ao obter um saldo de US$ 1,873 bilhão. Com as exportações estáveis para esse mercado em relação a igual período do ano passado, o resultado foi obtido por meio da redução de 24,73% das importações de produtos americanos. A mesma lógica se repetiu no comércio do Brasil com outros 15 países com os quais registrou superávit, entre os quais Reino Unido, Chile, México e Venezuela.No caso do comércio com os Estados Unidos, as importações somaram US$ 5,001 bilhões e apresentaram quedas acentuadas em sete dos dez principais produtos desembarcados. Entre eles, os motores e turbinas para aviação, que caíram 36,41%, em decorrência da própria queda dos embarques brasileiros de aviões para o mercado americano, de 15,08%, conforme ressaltou o secretário-adjunto de Comércio Exterior, Ivan Ramalho.As exportações brasileiras ao mercado americano, por sua vez, somaram US$ 6,864 bilhões, o que representa queda de 1,43%, em comparação com o primeiro semestre de 2001. Além dos aviões, pesaram nesse comportamento as reduções de 10,25% nas vendas de calçados e de 10,54%, nas de automóveis. Cresceram, entre outros, os embarques de telefones celulares (em 33,09%), de motores para veículos (em 79,97%) e de autopeças (em 18,35%).A queda brusca de importações como principal gerador de saldos positivos marcou o resultado da balança comercial do primeiro semestre deste ano, que fechou com superávit de US$ 2,606 bilhões. A redução das importações alcançou 22,6% - um porcentual bem mais acentuado que o da queda das exportações no período, de 13,4%, na comparação com igual período de 2001.Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, entre as dez maiores empresas exportadoras do Brasil no semestre, nove apresentaram queda nos embarques. Apenas a Varig, que devolveu US$ 390 milhões em aeronaves, registradas como reexportação, apresentou resultado positivo.No primeiro semestre, a maior exportadora brasileira foi a Petrobrás, empresa que tradicionalmente consta na balança comercial como forte importadora - e que também foi a campeã em compras externas no período, que totalizaram US$ 2,175 bilhões. No período, as vendas da estatal totalizaram US$ 1,262 bilhão e superaram até mesmo as da Embraer, de US$ 1,050 bilhão, que vinha assumindo a liderança das exportações brasileiras.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.