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Brasil não aceitará saída de Petrobras da Bolívia sem indenização

Após se encontrar com o presidente da Bolívia, Evo Morales, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse, nesta segunda-feira, que o Brasil não aceitará a saída da Petrobras sem o pagamento da devida indenização. A saída da empresa será resultado do decreto de nacionalização dos setores de gás e petróleo no país - em especial, a ocupação militar das plantas da Petrobras na Bolívia. "O presidente Evo Morales sabe o que pensamos e a sensibilidade desse assunto para o Brasil", respondeu Amorim ao ser indagado por uma jornalista boliviana se o País havia superado o mal-estar causado pela ocupação militar das refinarias e das plantas de exploração.No seu esforço de retomar uma relação bilateral mais harmoniosa, baseada no diálogo e na confiança mútua, Amorim enfatizou que não será o governo brasileiro quem tomará as rédeas das negociações que ocorrerão com a Bolívia sobre os preços do gás e o destino da Petrobras no país. O governo brasileiro insiste que o tema é de ordem empresarial e deve seguir padrões sobre a viabilidade dos negócios da Petrobras no novo cenário criado pela nacionalização do setor do gás.Bolívia não acena com indenizaçãoAo lado de Amorim, no Palácio Quemado, a sede do governo boliviano, o chanceler Choquehuanca indicou que não houve mudança no argumento da Bolívia de que a Petrobras já obteve o retorno de seus investimentos na exploração do gás natural e que, portanto, não mereceria indenização - caso as negociações terminem sem acordo até 1º de outubro e a empresa venha a se retirar do país. O chanceler boliviano informou que a Bolívia não tratará de nenhum assunto relacionado a esse tema antes de obter os resultados da auditoria sobre as contas da companhia brasileira.Nos encontros privados, Amorim insistiu para que o governo boliviano aceite também os trabalhos de auditoria independente, para evitar conclusões apressadas e equivocadas. O chanceler brasileiro ainda acenou com a possibilidade de a Bolívia acessar uma linha de financiamento do Banco nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a execução de obras de rodovias e a compra de tratores. Aberta há três anos, essa linha foi suspensa diante do cenário de instabilidade política e poderá, nos próximos meses, ser restaurada.O Brasil também não conseguiu obter nenhuma garantia sólida do presidente da Bolívia de que os brasileiros em condições precárias de posse de terra naquele país poderão ali permanecer. Os resultados positivos dos encontros desta segunda-feira de Amorim em La Paz, nesse sentido, foram a criação de dois grupos bilaterais de trabalho: um para monitorar as questões relativas à imigração e outro para a acompanhar os impactos da reforma agrária sobre a população brasileira na Bolívia.A repórter viajou a convite do Itamaraty, em avião da Força Aérea Brasileira.

Agencia Estado,

22 de maio de 2006 | 19h56

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