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Brasil não consegue atingir meta de exportações

A julgar pelo desempenho recente das exportações, o Brasil chegará "morto" ao fim de 2002. Faltando seis meses para o fim do governo, o lema "exportar ou morrer", proferido com tanto alarde durante a posse do embaixador Sérgio Amaral no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em agosto do ano passado - antes disso, a meta era chegar ao fim de 2002 com vendas externas da ordem de US$ 100 bilhões, estabelecida no lançamento do Programa Especial de Exportações (PEE) em outubro de 1997 - virou um slogan vazio. Pelas previsões do Banco BBV, o País deve encerrar 2002 com exportações de US$ 54,9 bilhões, um recuo de 5,8% em comparação com 2001. Mas o saldo da balança vai bem. Nos primeiros seis meses do ano, o País conseguiu um resultado muito próximo ao obtido durante todo o ano de 2001, que foi de US$ 2,6 bilhões e deve terminar o ano dentro das previsões do governo, por volta de US$ 4,5 bilhões. Porém, isso se deve a uma queda ainda mais expressiva das importações, de 8,9%, que devem ficar em US$ 50,7 bilhões. "Não é um resultado para que se possa bater palmas", afirma Benedito Moreira, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). "É um superávit pelo negativo, e isso só pode ser bom no curto prazo. A redução tanto da exportação quanto da importação é triste e mostra a total fragilidade da economia brasileira." Na sua opinião, apenas com o crescimento da corrente de comércio (soma das exportações e importações) é que o País irá conseguir atingir um desenvolvimento econômico sustentável, gerando emprego e divisas.?Irrealista?Mesmo tendo sido estabelecida antes da crise da Ásia, a meta de US$ 100 bilhões para 2002 foi considerada, já na época, como extremamente ambiciosa. "Era uma meta irrealista", afirma Ricardo Markwald, presidente da Funcex (Fundação de Estudos do Comércio Exterior). Para desespero do governo, que lançou o PEE de olho no crescimento do déficit no balanço de pagamentos, que já representava mais de 4% do PIB, pouquíssimas semanas após o anúncio do programa a crise bateu à porta da Ásia, espalhando-se em efeito dominó para a Rússia, o Brasil e toda América Latina.A desvalorização cambial na Ásia tornou os produtos daquela região bem mais competitivos, uma vez que, até janeiro de 1999, o real estava sobrevalorizado. Mais recentemente, não se passaram nem 20 dias do anúncio do "exportar ou morrer" para que a economia mundial, que estava tentando a duras penas se recuperar tomasse outro baque: os ataques terroristas de 11 de setembro. O calote argentino veio pouco depois.Em 2001, a Organização Mundial do Comércio registrou, pela primeira vez em duas décadas, uma queda no volume de comércio. Para este ano, as previsões da entidade para o crescimento do comércio mundial são pouco alentadoras: de zero a 1%. "Nos últimos dois anos nossas exportações cresceram 22% cumulativamente - 16% em 2000 e 6% em 2001. Isso é o dobro do que cresceu o comércio mundial no período e fez com que ganhássemos participação de mercado", comemora Roberto Giannetti da Fonseca, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior. A participação brasileira no comércio mundial passou de 0,87% em 1999 para 0,97% em 2001. "Crescemos 0,1%. Pode parecer pouco, mas de 1994 a 1999 nós perdemos participação anualmente."PerdasPara o economista do BBV Fernando Barbosa, a situação externa para este ano está tão ruim para o comércio mundial que, mesmo se o País tivesse uma política mais agressiva de exportação, o resultado da balança dificilmente seria muito melhor. De janeiro a maio, as exportações para a Argentina tiveram uma queda de 67% ante o mesmo período no ano anterior. A crise no país vizinho já resultou na perda de US$ 2,3 bilhões na corrente de comércio do Brasil, neste ano.Soma-se a isso o fato de os preços dos principais produtos da pauta de exportação brasileira estarem registrando o menor nível desde 1993. Pelos mesmos produtos exportados no ano passado, o País deverá receber 2% a menos em divisas, neste ano. Um estudo da Câmara de Comércio Exterior (Camex) mostra que se os preços obtidos em 1997 pelas mercadorias exportadas pelo Brasil fossem aplicados ao volume exportado em 2001, o superávit no ano passado teria sido de US$ 10 bilhões.Apesar do fraco resultado em termos numéricos, enquanto modelo de gestão, o PEE, baseado em conceitos de qualidade total e na interação entre setor público e privado, chegou mesmo a ser copiado no exterior. "O programa foi muito positivo no sentido de que propunha um esforço de mobilização", defende Markwald. "Intensificou-se o contato com a iniciativa privada e isso permitiu ao governo tomar consciência dos problemas."Hoje, ninguém duvida de que o governo conheça os entraves que dificultam a exportação, como custos e problemas de infra-estrutura logística, viés antiexportador dos tributos e acesso ao financiamento. "O ministro Amaral está tentando lutar, mas as coisas não avançam", diz Moreira. Giannetti da Fonseca, que era participante do mercado antes de fazer parte do governo, também reconhece que falta um "maior dinamismo entre a tomada de decisão e a implementação dos projetos" na burocracia brasiliense.

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