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Brasil não desperdiçou bonança internacional, diz Meirelles

Presidente do BC ponderou, contudo, que ainda existem canais abertos à vulnerabilidade externa

Vinícius Pinheiro, da Agência Estado,

18 de fevereiro de 2008 | 15h00

O ajuste realizado pela economia brasileira com base no tripé responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e compromisso com as metas de inflação tem mostrado valor tanto em períodos positivos como em momentos desafiadores, como o atual. A afirmação é do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. "O Brasil não desperdiçou o período de bonança e se preparou para uma possível deterioração global", disse, durante evento na capital paulista.   Meirelles destacou a melhora nos níveis de solvência da dívida brasileira, que, segundo ele, se encontram nos melhores patamares da história. Ele mencionou também a política de acumulação de reservas internacionais, que multiplicaram por 12 nos últimos anos. Segundo o presidente do BC, a economia brasileira interrompeu um mecanismo "perigoso" de vulnerabilidade. "Os ciclos viciosos (do País) fazem parte dos livros de história", afirmou.   Como exemplo, Meirelles destacou que, hoje, quando há uma depreciação cambial o impacto na dívida é negativo, ao contrário do passado. Ele também ressaltou que o motor da economia brasileira atualmente é a demanda doméstica, com o aumento do crédito, da renda e do emprego.   Por outro lado, o presidente do BC ponderou que ainda existem canais abertos à vulnerabilidade externa. "Ninguém tem a ilusão de que o País estará ou está totalmente imune", afirmou.   Sobre a crise que atinge a economia dos Estados Unidos, Meirelles observou que os efeitos ainda não são totalmente conhecidos, principalmente no que se refere à capacidade dos bancos norte-americanos de continuarem emprestando.   Crescimento econômico   O presidente do BC disse ainda que o Brasil não crescerá com base meramente na política macroeconômica. "Em última análise, o que vai definir a capacidade de o País crescer mais rápido é o aumento da produtividade", afirmou. Segundo Meirelles, a política macroeconômica apenas dá condições para que as empresas e os indivíduos busquem uma maior qualidade e eficiência em seus processos.   O presidente do BC também chamou a atenção para as recentes análises acerca do grau de contaminação dos problemas da economia mundial sobre os emergentes. Para ele, teorias como descolamento e recolamento são situações extremas. "É um pouco de tudo isso. Existe contaminação, ninguém é imune, mas não há dúvida de que a situação (dos emergentes) hoje é diferente", avaliou.   O presidente do BC evitou comentar a recente melhora da inflação e das expectativas do mercado para os índices de preços.   Sistema bancário   Meirelles afirmou ainda que o Banco Central está atento ao cenário e poderá tomar "medidas prudenciais" para evitar um desequilíbrio futuro no sistema bancário brasileiro. Ele destacou, porém, que os bancos brasileiros estão capitalizados e que registram um aumento na concessão de crédito sem a elevação dos indicadores de inadimplência.   Meirelles evitou mencionar que tipo de providência o BC poderia tomar, mas citou normas adotadas no passado, como o aprimoramento na gestão de risco e a revisão das regras de requerimento de capital das instituições financeiras.   Ele ressaltou, particularmente, os limites para exposição cambial dos bancos que o BC implementou em junho do ano passado. "Quando a medida foi tomada, não foi entendida por muitos, que não a consideravam necessária. Essa opinião durou 45 dias", lembrou, em referência ao início da turbulência nos mercados financeiros internacionais.   Na ocasião, em conseqüência da restrição da autoridade monetária, os bancos brasileiros se apresentavam com pouca exposição à moeda norte-americana, o que contribuiu para evitar um contágio maior da deterioração global. "É função do BC agir olhando sempre à frente", reforçou Meirelles, que participou nesta segunda da premiação "Qualidade em Bancos", em São Paulo.

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