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Brasil não deve ser comparado à China e à Índia, diz Meirelles

O Chile, e não a China e a Índia, deve ser o modelo de referência para a questão de acelerar o crescimento econômico do Brasil, disse hoje em Davos o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. "O exemplo do Chile é o mais importante, porque é latino-americano e próximo do Brasil", ele disse, em entrevista à imprensa, num intervalo na maratona de encontros com investidores e autoridades econômicas no Fórum Econômico Mundial.Meirelles foi cauteloso ao comentar a visão expressa no dia anterior pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, em Davos, de que uma das principais razões pelas quais a China e a Índia crescem mais do que o Brasil é que estes países - especialmente o primeiro - têm metas de crescimento e taxa de câmbio, o que estimula os investidores. O presidente do BC, porém, deixou claro que, ao contrário de Furlan, não acha que a China e a Índia sejam bom parâmetros para se avaliar o desempenho do Brasil.Características específicasNo caso da China, Meirelles observou que "é difícil fazer comparações com um país que tem mais de um bilhão de habitantes, regime autoritário, sem benefícios sociais, sem garantias, sem previdência e que, em última análise, controla o suprimento de mão de obra". Para o presidente do BC, o fantástico crescimento chinês deve ser celebrado, mas o país tem "uma estrutura muito diferente do Brasil, sem todos os investimentos que temos na área social e de previdência, sem as transferências para distribuir a renda".Quanto à Índia, Meirelles disse que a sua história de crescimento, embora bem sucedida recentemente, é menos impressionante que a chinesa. O país estaria colhendo investimentos de décadas em educação, que o presidente do BC apóia, mas que foram concentrados na formação universitária, o que piorou a distribuição de renda.Além disto, ele disse que o crescimento tanto da China quanto da Índia é em boa parte explicado pelo fato de que estes países estão incorporando grandes massas de habitantes ao mercado de trabalho urbano. Para Meirelles, este processo permite forte crescimento por 20 ou 30 anos, seguido de estabilização em nível menos acelerado.Quanto ao Chile, o presidente do BC observou que o país passou por grandes reformas nas últimas décadas, e hoje tem uma despesa pública abaixo de 20%, e deve dentro de alguns anos eliminar totalmente a sua dívida pública. Ele citou ainda a privatização da previdência social. Para Meirelles, a previdência chilena tornou-se "uma grande fornecedora de recursos, de poupança para financiamento, o que evidentemente faz com que as taxas de juros tenham um comportamento diferente de países onde o setor da previdência e o governo sejam grandes tomadores".Reformas necessáriasO Brasil, segundo Meirelles, ainda tem reformas importantes por realizar. "Tudo se consegue com trabalho duro, e não será um órgão ou outro, inclusive o Banco Central, que num passe de mágica vai fazer com que o País comece a crescer sem atacar em níveis muito maiores os problemas fundamentais".O presidente do BC mostrou otimismo em relação à economia brasileira, e disse que os fundamentos estão bem mais sólidos, para se enfrentar turbulências externas e internas, do que em 2002, ano da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Meirelles citou a substancial melhora nos indicadores externos, como o aumento das reservas internacionais e a eliminação da dívida cambial doméstica. Para ele, "países mais acelerados entraram nesta mesma rota há muitos anos, estamos no caminho certo". Ele mostrou confiança na projeção do Banco Central de que o Brasil vai crescer 4% em 2006. Meirelles também voltou a defender a independência do Banco Central: "A experiência de outros países mostra que a independência do BC diminui a incerteza e colabora para a queda das taxas de juros". Ele disse também que recebeu com "naturalidade e bom-humor" as brincadeiras que os ministros Furlan, e Gilberto Gil, da Cultura, fizeram em Davos, com alusões aos altos juros reais brasileiros. O presidente do BC disse que os juros reais já caíram e tendem a continuar em rota descendente, se a política econômica for mantida e as reformas avançarem. "Todos queremos juros mais baixos no Brasil futuro, inclusive Banco Central", ele disse.

Agencia Estado,

27 de janeiro de 2006 | 18h16

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