Brasil não é 'nada de nada'?, questiona 'Financial Times'

O recente derretimento das ações do setor de educação no Brasil é o principal destaque da coluna "Lex" publicada, ontem, na edição impressa do jornal britânico "Financial Times". A perda de valor das ações da Kroton e da Estácio fez a coluna questionar a força da economia brasileira nos setores que não dependem das commodities e pergunta se, no final, o Brasil não é "nada de nada".

O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2015 | 02h05

O texto reconhece que há setores não cíclicos no Brasil e um dos que cresce é o de educação. "Um líder do setor é a Kroton que tem valor de mercado de US$ 7,5 bilhões e elevou receitas a uma taxa anual de 50% ao longo de cinco anos", diz o texto. "Entre o início de 2012 e o fim do ano passado, as ações subiram quase oito vezes. Há forte apoio demográfico e político para o crescimento e mais alunos tentam o vestibular a cada ano. A presidente Dilma Rousseff adotou 'Brasil, uma pátria educadora' como lema de seu segundo mandato".

O FT destaca, porém, que mais da metade dos alunos da Kroton são financiados por crédito estudantil. É aí que mora o problema. "No ano passado, o programa (de crédito) desembolsou US$ 3,6 bilhões e as verbas crescem rápido". A chegada da nova equipe econômica, porém, parece estar alterando o jogo de forças nesse mercado.

Desde que as mudanças nas regras do Fies foram anunciadas, lembra o jornal, as ações da Kroton e da Estácio perderam um quarto de seu valor. "Isso lembra o que aconteceu com as ações de empresas americanas de educação quando o governo apertou políticas de crédito para as escolas com fins lucrativos."

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