Brasil não está fora de perigo, diz Serrano

A decisão da Moody's de revistar para estável o rating do Brasil é positiva, na visão do economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano. Entretanto, isso não significa que o Brasil está fora de perigo.

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 18h59

"A notícia é relativamente positiva, dadas as expectativas que se criaram. O rebaixamento já era antecipado em função da deterioração recente do quadro econômico. A perspectiva estável significa que há pouca chance de alteração da nota no curto prazo", comenta. Ele aponta que a Moody's já incorpora uma trajetória negativa para a relação dívida/PIB até o fim do atual mandato da presidente Dilma Rousseff.

Mesmo assim, a perspectiva estável não significa que não há riscos para o rating brasileiro. Para Serrano, é preciso avançar com medidas estruturantes e também para atenuar a crise política. A recente reaproximação entre o governo e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), é um passo nesse caminho, segundo o economista. "É preciso reduzir o nível de incertezas na economia e aumentar a capacidade de crescimento. Precisamos quebrar o ciclo de confiança muito baixo que se instalou entre os agentes econômicos", aponta.

Serrano afirma que a precificação, na estrutura a termo da curva de juros, de uma alta de 0,25 ponto porcentual na Selic, que estava em torno de 50%, deve diminuir. Já o dólar poderia recuar para algo perto de R$ 3,40, mas a crise política interfere. "Eu esperaria alguma correção no câmbio, mas o cenário político é bastante incerto e parte disso continua nos preços dos ativos".

O economista do Besi aponta ainda que, com o rebaixamento, a Moody's se alinhou com a nota da Standard & Poor's e o mesmo deve ocorrer com a Fitch, que agora é a única cuja nota ainda está dois graus acima do nível especulativo. 

Tudo o que sabemos sobre:
RatingMoodys

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.