finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Brasil não está imune, diz banqueiro

Para Charles Dallara, diretor-gerente do IIF, País ainda pode sofrer com a saída de investimentos externos

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2028 | 00h00

O Brasil está bem posicionado para enfrentar a crise imobiliária mundial, mas ''''não está imune'''' a turbulências, afirma Charles Dallara, diretor-gerente do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), espécie de Febraban mundial. Segundo ele, o País teve grandes progressos nos fundamentos macroeconômicos e no front político. Mas os fluxos de capital estrangeiro que derrubaram o dólar e o risco país nos últimos anos são resultado tanto dessas melhoras como do ambiente internacional, que era positivo e agora está definitivamente mudando.''''É improvável que esses investimentos estrangeiros no Brasil e outros emergentes continuem no mesmo ritmo dos últimos anos'''', diz Dallara, ao apresentar ontem um relatório dos efeitos da crise de hipoteca de alto risco dos EUA sobre os emergentes. ''''Mesmo assim, não esperamos uma reversão forte nos fluxos para o Brasil.''''Segundo o relatório, a crise das hipotecas de alto risco vai se aprofundar nos Estados Unidos. ''''A crise é resultado de mau julgamento na concessão de créditos e novos instrumentos financeiros pouco transparentes (os papéis lastreados em hipotecas subprime e suas variações)'''', diz Dallara. ''''Foi o erro tradicional dos banqueiros - pôr dinheiro onde não deviam.'''' Ele conta que o presidente do banco central de um país latino-americano brincou: ''''Desta vez não é nossa culpa!''''.Dallara acredita que os emergentes estão mais preparados para a turbulência do que estavam nas últimas crises, como a da Ásia, em 1997. ''''O Brasil, em 1997, tinha déficit em conta-corrente de 3,5% do PIB e hoje tem superávit de 1,2% do PIB.''''Porém, os mercados acionários dos emergentes já estão sofrendo com investidores desfazendo suas posições para compensar perdas no subprime. ''''Achamos que a redução nos fluxos de capital para emergentes vai continuar.'''' O instituto mantém sua última projeção, de que a crise deve reduzir em 0,5 ponto porcentual o crescimento do PIB dos emergentes.Os países mais prejudicados pelos reflexos da crise imobiliária serão Argentina e Rússia. O IIF prevê que o risco país da Argentina, que encerrou 2006 em 216 pontos, vai estar em 462 pontos no fim do ano. Para o Brasil, o IIF projeta o risco país em 199 pontos - mesmo nível de hoje - e as reservas a US$ 170 bilhões.''''No Brasil, o BC comprou US$ 70 bilhões em reservas nos últimos sete meses para conter a valorização do real; nos últimos dez dias, isso nivelou, mas não houve nenhuma hemorragia de reservas'''', diz Philip Suttle, diretor de análise macroeconômica global do IIF. Segundo Suttle, há uma fuga de investimentos nos papéis lastreados em ativos de países ricos, muito maior do que de países emergentes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.