Brasil não ficará isolado nas negociações da Alca, diz Dirceu

O Brasil não ficará isolado nas negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), garantiu hoje o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, ao chegar ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex). "Não vejo porque os EUA teriam interesse em isolar o Brasil, em não dar mercado. Não vai no sentido da própria política norte-americana, não vejo o que os EUA ganham com um Brasil mais fraco, um Brasil menos integrado no mundo", acrescentou. Na opinião de Dirceu, a hipótese de os EUA tentarem isolar o Brasil é "remota se analisarmos os interesses norte-americanos" na economia brasileira. "Os EUA estão no Brasil, são investidores e têm interesses a longo prazo no País. E vice-versa. As nossas relações com os EUA são boas, estão se alargando, são de cooperação, mas temos contencioso", ressaltou. Segundo ele, o contencioso é natural, devido às diferenças de interesses. Repactuação entre os negociadores Dirceu argumentou ainda que, para haver avanço nas negociações da Alca, é preciso haver uma repactuação entre os negociadores. É preciso também, segundo ele, reciprocidade por parte dos Estados Unidos. "Acredito que para avançarmos na Alca é preciso que as partes façam algum movimento. Evidentemente que para avançar é preciso que haja repactuação, depende da boa vontade e da disposição das partes. O Brasil é co-presidente mas os EUA precisam mover alguma peça no xadrez", avaliou.Ele disse que a Alca não é mais só um acordo comercial, porque vai influenciar o futuro do País, e que por isso exige reciprocidade. "Se os EUA remetem para a OMC aqueles temas que são essenciais e vitais para o Brasil, é natural que o Brasil remeta para a OMC os temas também que são vitais segundo os interesses norte-americanos", avaliou. O ministro reforçou a idéia de que o Brasil "também tem direito de apresentar propostas". "Repito as palavras do ministro Celso Amorim (Relações Exteriores): "Se não é para podermos apresentar propostas alternativas, então não é negociação", citou. Para ele, o que o Brasil fez em Trinidad e Tobago foi exercer um direito "singelo", de apresentar uma proposta alternativa em conjunto com outros países.

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