Brasil não pode arrefecer negociações sobre aço, diz Maria Silvia

A eficácia das negociações em Genebra entre os representantes dos governos brasileiro e norte-americano para elevar a cota de exportações de semi-acabados do Brasil é imprevisível, na opinião da presidente da CSN e do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Maria Silvia Bastos Marques. "Os Estados Unidos ouviram nossa proposta e disseram que vão avaliar, mas o fato é que não podemos arrefecer", avalia.Segundo a executiva, o pedido brasileiro segue o mesmo argumento utilizado pelo governo coreano. "Os Estados Unidos já concordaram em elevar a cota de exportação da Posco, que mantém participação na UPI, no país, através de uma joint venture com a US Steel", explica. A executiva disse que não tem conhecimento dos volumes negociados, mas acredita que é acima de 200 mil toneladas.Maria Silvia defende ainda que, independentemente das negociações bilaterais em Genebra, o Brasil deve entrar formalmente com uma queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC). "O processo de salvaguardas dos Estados Unidos não tem consistência do ponto de vista legal", afirma.Na opinião da executiva, as atuais restrições norte-americanas são insustentáveis em médio prazo. "Os Estados Unidos precisam se reestruturar e precisam importar placas. Por isso não acredito que as restrições perdurem pelos três anos inicialmente anunciados", avalia."Agressão"A presidente do IBS destaca que conceitualmente, as medidas protecionistas anunciadas pelos EUA são uma agressão às regras de comércio da OMC. "Se eles fizeram isso com o aço, quer dizer que poderão fazer o mesmo para qualquer produto.Segundo a executiva, a posição norte-americana serve para alertar o Brasil à respeito do que o espera nas negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).Quanto à divisão da cota inicialmente reservada ao Brasil, de 2,5 milhões de toneladas, a Maria Silva diz que as primeira reuniões entre as siderúrgicas brasileiras serviram apenas para definir os critérios a serem utilizados na divisão. "Não podemos olhar apenas para os históricos de exportação, mas para os investimentos que foram feitos visando esse mercado", ressalta.

Agencia Estado,

21 de março de 2002 | 15h57

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