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'Brasil não quebrou e não vai quebrar', diz Lula sobre a crise

Presidente voltou a criticar 'ganância' e 'especulação' e diz que crise é desafio 'para fazer mais do que fizemos'

Nalu Fernandes, da AE

16 de março de 2009 | 15h58

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 16, que a crise está obrigando o Brasil a enfrentar "turbulências que não criamos". Lula observou que os bancos brasileiros, públicos e privados, atenuaram os efeitos da crise internacional. Lula afirmou que o Brasil não quebrou e não vai quebrar. "Enquanto a maioria dos países ricos mergulha na recessão, o Brasil vai continuar crescendo. Cresceremos em 2009 menos do que gostaríamos e menos do que poderíamos se não fosse essa crise externa. Mas vamos crescer", afirmou.

  

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Lula disse que a crise global desafiou o Brasil a trabalhar mais para combatê-la, mas o atual momento representa uma oportunidade para os líderes mundiais. Lula afirmou que "a crise surgiu como um desafio que dará mais motivação para fazer mais do que fizemos até agora". Lula disse que o Brasil não teve a grave crise de confiança que se abateu sobre os países ricos. "Quando a crise veio à tona, nossa economia estava arrumada."

 

Lula criticou ainda a revisão do banco norte-americano Morgan Stanley para o PIB brasileiro, prevendo contração de 4,5% da economia brasileira em 2009, de estimativa anterior de crescimento zero. "Estes bancos não acertaram na situação deles. Quanto mais na situação do Brasil", afirmou. O presidente afirmou ainda estar "tão otimista quanto estava no ano passado". "Sei da gravidade da crise", acrescentou. Lula vê o Brasil como um país "com a maior atração de investimento junto com a China".

 

Ele afirmou também que os bancos em vez de cumprirem papel de financiador do setor produtivo descolaram-se da realidade e dedicaram-se à especulação. "Transformaram-se num grande cassino." "A ganância de alguns deu lugar ao pânico de muitos", acrescentou.

 

Lula também falou sobre a integração das Américas e a necessidade de pensar para além das divisões políticas, temas também tratados com Obama durante o encontro de ambos os presidentes no fim de semana. "O tempo da guerra fria acabou. Agora é tempo de democracia", disse.

 

O presidente Lula, que falou antes do almoço, brincou com a plateia dizendo que não era para atirar facas e "muito menos sapatos" enquanto ele falasse e a fome fosse aumentando, em referência ao ocorrido no Iraque com o ex-presidente dos EUA, George W. Bush.  

 

 

A crise global desafiou o Brasil a trabalhar mais para combatê-la, mas o atual momento representa uma oportunidade para os líderes mundiais, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento para investidores, em Nova York. Lula afirmou que "a crise surgiu como um desafio que dará mais motivação para fazer mais do que fizemos até agora". Lula disse que o Brasil não teve a grave crise de confiança que se abateu sobre os países ricos. "Quando a crise veio à tona, nossa economia estava arrumada."

 

'Oportunidade'

 

O presidente afirmou que a crise é uma oportunidade para ele e para o presidente dos EUA, Barack Obama. "A crise é uma oportunidade para pessoas como Obama e como eu, que estou seis anos em mandato e poderia estar cansado. Esta crise veio me provocar, me desafiar e vai me dar motivação para fazer mais do que fizemos até agora", disse Lula.

 

Para o presidente brasileiro, os EUA têm obrigação e uma chance extraordinária de restabelecer uma nova relação com a América Latina. "Não há Aliança pelo Progresso da década de 60, mas de estabelecer uma relação de parceria, de ajudar países mais pobres, de se apresentar como amigo e construir o que falta ser construído".

 

Lula disse ainda que "vivemos em paz com nossos vizinhos e não abrimos mão disso". Segundo ele, todos os presidentes da região (América Latina) gostariam de estabelecer uma nova relação com os EUA.

 

"Oxalá, Deus ilumine o presidente Obama", continuou Lula. O presidente brasileiro vê a Cúpula das Américas, que vai acontecer em Trinidad e Tobago, no próximo mês, como o cenário ideal para "a gente restabelecer uma política de convivência democrática". "Nada mais interessa do que o restabelecimento das relações com Cuba. Não é possível que a gente continue fazendo no século 21 políticas com o olhar do que aconteceu no século 20. Vamos fazer política pensando no século 22", afirmou.

 

O presidente avalia que esta é a oportunidade para fazer as coisas diferentemente do passado e, também, é a melhor forma de combater o terrorismo.

 

Texto ampliado às 18h15 

 

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