"Brasil não quer encurralar e nem ser encurralado" na Alca

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, rechaçou indiretamente na noite desta sexta-feira, em Buenos Aires, eventuais pressões dos Estados Unidos para a imposição de um modelo que privilegie seus os interesses nas negociações da Alca. "Não queremos encurralar ninguém nem sermos encurralados por ninguém. Se algum país tenta encurralar o Mercosul o que podemos dizer é que não há Alca sem Mercosul", disse. "Se nós quiséssemos atazanar os Estados Unidos eu colocaria três ou quatro pontos de dumping nas negociações da Alca que impediriam um acordo, mas não fazemos porque queremos chegar a um consenso".A declaração foi feita ao final da reunião dos chanceleres dos países latino-americanos mais Índia, China, Egito e África do Sul, integrantes do chamado G-20. De acordo com o chanceler brasileiro o encontro reafirma a mentalidade do sistema multilateral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em torno dela, os participantes do encontro também firmarem consenso sobre a necessidade de continuar e fortalecer as negociações da rodada de Doha.Questionado sobre o número exato dos países membros do chamado G-20, o chanceler disse que não existe "carteirinha para entrar ou sair do G-20 e que alguns países que não estiveram presentes hoje se deve ao fato de que alguns não foram convidados e que outros desistiram. Perguntado sobre se a desistência do Peru e da Costa Rica, por exemplo, foi motivada por pressão dos Estados Unidos, ele respondeu com um enfático "Façam vocês mesmo as deduções".

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