Brasil não sai da crise desequilibrado, afirma Meirelles

Para o presidente do BC, País entrou na crise financeira com capacidade de investimento

LUCINDA PINTO, Agencia Estado

22 de setembro de 2009 | 11h57

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, fez um discurso otimista para um grupo de empresários reunidos em evento para discutir projetos de infraestrutura para a Copa do Mundo de futebol de 2014. Segundo Meirelles, o Brasil entrou na crise financeira com capacidade de investimento, o que garante "tração de saída" desta crise. O presidente do BC disse que a retomada do crescimento da economia deve acontecer sem as mesmas preocupações de desequilíbrios que existiam em outros momentos. O custo fiscal no Brasil das medidas de estímulo representou 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), mesmo patamar registrado pela Índia, e bem menor do que o da China, que foi de 5,8% do PIB. Ele citou ainda que a projeção da dívida pública líquida para 2009 é de 43,1% do PIB, menor portanto do que foi registrado em 2007 (43,9%), mas ainda superior ao de 2008 (38,8%).

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Meirelles declarou que há pilares sustentando o crescimento da economia: a restauração do crédito e a sustentabilidade da massa salarial, que, segundo ele, deve crescer 4% este ano. Por isso, Meirelles acredita que o Brasil sairá da crise sem desequilíbrio nas contas públicas, com reservas crescentes, inflação controlada e capacidade de investimento preservada. O presidente do BC salientou ainda que os dados de emprego mostram que economia retoma sua dinâmica, citando que a taxa de desemprego em julho atingiu o menor nível histórico de 8%. Ele destacou ainda que, pela primeira vez, o desemprego é menor no Brasil do que na zona do euro (grupo dos 16 países que adotam o euro como moeda) e Estados Unidos.

 

Crescimento

 

Para provar essa avaliação positiva, Meirelles citou o alto nível das reservas internacionais, que atingiram US$ 222,9 bilhões no dia 18 de setembro; as expectativas de inflação convergindo para a meta e o saldo de operações de crédito que continua crescendo mesmo no período pós-crise. Ele lembrou que em julho de 2009 o saldo das operações de crédito representava 45% do PIB, o que ainda é baixo pelos padrões internacionais, o que mostra, segundo ele, que ainda há espaço para crescimento.

O desempenho do PIB no segundo trimestre, de acordo com o presidente do BC, mostra que há um avanço sólido neste momento de saída da crise financeira e observou que a produção industrial, setor mais atingido pela instabilidade internacional, já acumula sete meses consecutivos de crescimento. "E deve continuar a crescer de forma gradual, sólida e robusta", disse.

Em relação ao nível de utilização da capacidade instalada, que segundo a FGV atingiu 81,6% em julho, Meirelles comentou que embora tenha havido queda no início do ano, esse recuo foi moderado pela maturação dos investimentos feitos antes da crise. O efeito sobre a utilização da capacidade foi menor do que o que ocorreria em outras situações, pelo fato de o Brasil estar em expansão econômica antes do agravamento das turbulências. Meirelles observa ainda que há projetos sendo desengavetados e que os investimentos estão sendo retomados.

A tendência do investimento estrangeiro direto também é positiva para o Brasil. Em 2009, há indicações de que o Brasil está em posição favorável, em relação ao fluxo externo. Assim, Meirelles afirmou que há oportunidades de investimentos em infraestrutura de longo prazo, existe demanda e há previsibilidade econômica. "Quem não fizer investimentos na hora certa vai perder mercado."

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