Brasil não tem perfil para ter fundo soberano, diz S&P

Diretora da agência que deu grau de investimento ao País diz que para mantê-lo é necessário comprometimento

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

13 de maio de 2008 | 13h58

O Brasil, no geral, não tem perfil para ter um fundo soberano de riqueza, na avaliação da diretora de rating soberano da Standard and Poor's, Lisa Schineller. A executiva também dá destaque às questões ainda em aberto sobre a atuação do Tesouro ou do BNDES com relação ao fundo. Veja também: Entenda o que é fundo soberanoNa elite do mercado mundial Em 30 de abril, a S&P elevou a classificação soberana do Brasil para investment grade (BBB-). Em palestra realizada em Nova York, pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, Schineller observou que o Brasil não opera com superávit fiscal nominal, por exemplo, para que seja criado um fundo soberano de riqueza.  "Se o fundo fosse estabelecido depois que Tupi tivesse funcionando, seria uma ótima forma de (criar) poupança para as próximas gerações", disse. "Quando Tupi estiver funcionando pode ser o caso. Neste momento não é o caso", avaliou. Schineller pondera que a criação de um fundo é um fato que ainda teria de ser incorporado `as ações de rating da S&P com relação ao País. Rebaixamentos A analista citou para a platéia de investidores que "ratings vão para cima ou para baixo", em uma alusão ao fato de que uma classificação grau de investimento pode voltar a cair para o nível especulativo. "Há passos para cima na escala e também para baixo". Schineller diz que a S&P "está confortável com o rating do País em BBB-", mas apontou nove rebaixamentos de rating do grau de investimento para o especulativo. O rating foi elevado, diz ela, "pelo comprometimento do governo com políticas pragmáticas". Ela destaca que a trajetória do Brasil rumo ao grau investimento foi "impressionante", uma vez que o País subiu a escala em quatro anos, enquanto México levou sete anos e a India, 16 anos. Para manter a classificação investment grade - Brasil e México são os únicos com este selo na América Latina, pelo critério da S&P -, é preciso manter o comprometimento, avisa. Schineller destaca que a relação dívida líquida geral do governo/PIB teve redução, mas continua "elevada". "A principal limitação é a política fiscal", afirma. "Apertar a política fiscal e trazer a dívida para baixo seria positivo para o rating", completou. A analista acrescenta que o Pais deve operar neste ano com déficit de conta corrente. Ela projeta que o déficit deve ser de US$ 20 bilhões neste ano. Embora o nível projetado não seja "problemático", diz a analista, para um país que precisa crescer mais, ela espera que o financiamento seja feito de "forma saudável" , mas ainda assim, pontua ela, há necessidade de financiamento.   Política industrial Com relação à política industrial anunciada oficialmente na segunda-feira, Lisa Schineller destacou que "não dá conselho para países", mas afirmou que a renúncia fiscal anunciada pelo governo pode estimular os investimentos. "No entanto, redução mais rápida da relação dívida/PIB seria outra forma para estimular o ambiente de investimentos", observa. "Ainda queremos ver quais serão os resultados (da política industrial)", completou em Nova York. Em entrevista após o evento, a executiva comentou que impostos mais baixos no geral, para todos os setores, seria bom para o clima de investimento no País e citou espaço para tal, diante da elevada carga de impostos locais. Schineller ainda chamou atenção para um "desafio" ligado aos anúncios feitos, que é saber se, de fato, foram pegos os setores corretos. "Pode-se cometer erro ao selecionar setores que não vão ser competitivos no fim".

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