Brasil não tem perfil para ter fundo soberano, diz S&P

Diretora da agência que deu grau de investimento ao País diz que para mantê-lo é necessário comprometimento

NALU FERNANDES, Agencia Estado

14 de maio de 2008 | 08h48

O Brasil, no geral, não tem perfil para ter um fundo soberano, na avaliação da diretora de Rating Soberano da agência de classificação de risco de crédito Standard & Poor´s, Lisa Schineller. A executiva também destaca as questões ainda em aberto sobre a atuação do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em relação ao fundo.   Veja também:  Entenda o que é fundo soberano  Na elite do mercado mundialEm 30 de abril, a S&P elevou a classificação soberana do Brasil para grau de investimento. Em palestra realizada em Nova York pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, Lisa observou que o Brasil não opera com superávit fiscal nominal, por exemplo, para que seja criado um fundo soberano de riqueza. "Se o fundo fosse estabelecido depois que Tupi (campo de petróleo) estivesse funcionando, seria uma ótima forma de (criar) poupança para as próximas gerações."Lisa pondera que a criação de um fundo é um fato que ainda teria de ser incorporado às ações de rating da S&P em relação ao País. À platéia de investidores, a analista disse que "ratings vão para cima ou para baixo", em alusão ao fato de que uma classificação de grau de investimento pode voltar a cair ao nível especulativo. "Há passos para cima na escala e também para baixo."   O rating foi elevado, diz Lisa, "pelo comprometimento do governo com políticas pragmáticas". Ela destaca que a trajetória do Brasil rumo ao grau investimento foi "impressionante", uma vez que o País subiu a escala em quatro anos, enquanto México levou sete anos e a India, 16 anos. Para manter a classificação investment grade - Brasil e México são os únicos com este selo na América Latina, pelo critério da S&P -, é preciso manter o comprometimento, avisa.   Lisa destacou que a relação dívida líquida geral do governo/PIB teve redução, mas continua "elevada". "A principal limitação é a política fiscal", afirma. "Apertar a política fiscal e trazer a dívida para baixo seria positivo para o rating", completou   Política industrial   Com relação à política industrial anunciada oficialmente na segunda-feira, Lisa Schineller destacou que "não dá conselho para países", mas afirmou que a renúncia fiscal anunciada pelo governo pode estimular os investimentos. "No entanto, redução mais rápida da relação dívida/PIB seria outra forma para estimular o ambiente de investimentos", observa. "Ainda queremos ver quais serão os resultados (da política industrial)", completou em Nova York.   Em entrevista após o evento, a executiva comentou que impostos mais baixos no geral, para todos os setores, seria bom para o clima de investimento no País e citou espaço para tal, diante da elevada carga de impostos locais. Schineller ainda chamou atenção para um "desafio" ligado aos anúncios feitos, que é saber se, de fato, foram pegos os setores corretos. "Pode-se cometer erro ao selecionar setores que não vão ser competitivos no fim".

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