Brasil não vai escapar da crise em 2012, prevê Unctad

Segundo a previsão do órgão, o País deve ter um crescimento menor e enfrentar uma queda nas exportações

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h01

O Brasil não conseguirá ficar imune à recessão na Europa em 2012, sofrerá uma queda nas exportações e poderá ter seu crescimento freado. O alerta é do secretário-geral da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o tailandês Supachai Panitchpakdi.

Em entrevista ao Estado, o alto dirigente da ONU alertou que não haverá como compensar a estagnação europeia nem mesmo com um incremento forte do consumo doméstico brasileiro. "2012 será um ano muito difícil para todos", disse. "A Europa ficará estagnada e algumas partes dela entrarão mesmo em recessão", explicou.

Na avaliação de Supachai, que foi diretor da Organização Mundial do Comércio e vice-primeiro-ministro da Tailândia, não há como pensar que os países emergentes vão escapar ilesos desse cenário. "Os canais de contaminação serão parecidos com os que vimos em 2008", afirmou.

"A estagnação nos países industrializados fará com que haja uma queda nas vendas dos emergentes para esses mercados. O Brasil vai ser afetado, assim como será a China", disse.

A eclosão da crise em 2008 fez o comércio mundial desabar. No ano seguinte, a contração chegou a 12%, a maior desde a Grande Depressão nos anos 30.

O governo brasileiro insistiu que o País perdeu menos por causa do perfil diversificado das suas exportações e do consumo interno em expansão.

Supachai aponta que dados recebidos pelo seu escritório já mostram que as exportações industriais da China já sofreram um choque diante da nova onda de crise na Europa.

"Houve uma diminuição substancial (dessas exportações) e isso é um indicador muito sério do que vai ocorrer em 2012", alertou.

Compensação. O tailandês também é cético em relação à capacidade do Brasil de compensar as perdas com a exportação com seu mercado doméstico. Há poucos dias, a presidente Dilma Rousseff apelou à população que continuasse a consumir, como arma contra a crise. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez o mesmo apelo durante a crise de 2009.

"Isso não será suficiente", alertou Supachai. "Atualmente, a produção brasileira, indiana e chinesa não são suficientes para compensar a estagnação europeia", alertou o secretário-geral da Unctad.

Na avaliação dele, decisões difíceis serão tomadas na Europa nos próximos meses. "Não há mais solução fácil. Todas terão um custo alto, político ou financeiro. Mas ninguém quer a destruição do euro", completou.

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