Brasil não vive bolha de crédito, avalia secretário

O secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Pablo Fonseca, negou na manhã desta quinta-feira que a decisão do Banco Central de reduzir o compulsório recolhido pelas instituições bancárias tenha relação com eventuais dificuldades de bancos menores do sistema financeiro nacional. "A decisão de reduzir o compulsório teve o objetivo de melhorar as condições de crédito no País", disse.

BIANCA RIBEIRO E ALINE BRONZATI, Agencia Estado

27 de setembro de 2012 | 12h05

No dia 14, o BC anunciou mudanças nas regras dos depósitos compulsórios para injetar cerca de R$ 30 bilhões na economia nos próximos meses. Além disso, anunciou incentivos para compras de letras financeiras e carteiras de crédito.

De acordo com o secretário, o Brasil não vive uma situação de bolha no mercado de crédito. Esse risco foi afastado no 10º Fórum Brasileiro para Emissores e Investidores, realizado em São Paulo, mas Fonseca lembrou que "nunca" houve bolha de crédito no Brasil e que esse é um tema acompanhado de perto pelo BC.

Fonseca foi também bastante questionado sobre as políticas de controle da variação do câmbio e sobre a taxação de investimento estrangeiro por meio de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Sobre ambas as questões, o secretário procurou se esquivar das críticas, lembrando que toda política econômica tem "dois lados".

"Mesmo (com vocês) não concordando com algumas de nossas escolhas, não quer dizer que nos transformaremos em um país ruim para os negócios. Eu não concordo com isso", afirmou, ao reforçar que o nível de previsibilidade da economia brasileira é bem maior que já foi no passado.

Juros

Fonseca destacou ainda que a redução do nível de juros no País favorece cada vez mais a participação do setor privado nos investimentos de longo prazo. "A infraestrutura é um desafio e uma oportunidade para o mercado de capitais devido à taxa de juros menor. Não podemos mais esperar que os bancos de fomento e os mercados externos nos ajudem", afirmou.

Na avaliação dele, é difícil prever o tamanho do crescimento da economia brasileira e a sustentabilidade de taxas mais altas de expansão do PIB pelos próximos dez anos, mas ele acredita que, mesmo com avanços mais modestos, o cenário de juros menores criou situações "muito favoráveis" para os investimentos. "Eu não tenho resposta para o crescimento de longo prazo e eu não sei o que se passará na Rússia ou na Índia nos próximos anos porque, por razões óbvias, acompanhamos a China, mas é difícil dizer que o Brasil crescerá 6% ou 7% ao ano", disse.

Ele afirmou que a taxa básica de juros (Selic) "deve, sim, subir em algum momento", mas adiantou que esse não é o aspecto mais importante da política monetária.

Na avaliação de Fonseca, é mais relevante observar que o mercado de juros se tornou mais previsível e estável. Segundo o secretário adjunto da Fazenda, a gestão da política monetária também tem muito mais força hoje do que no passado. "Não importa quando (a Selic) muda. O ponto é que ela não será mais como já foi anteriormente", disse.

Segundo Fonseca, no passado, o perfil da dívida pública interna brasileira era uma grande causa da volatilidade, pois uma fatia relevante era indexada à variação do dólar ou da taxa Selic. "Era um círculo vicioso e quando a crise chegava, era preciso um juro mais alto para superá-la", disse, reiterando que hoje a política monetária no País é muito mais forte.

Tudo o que sabemos sobre:
Fazendasecretáriocrédito

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.