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Brasil negocia com o México acordo mais ambicioso desde o Mercosul

No pacto estão incluídos produtos agrícolas, serviços e compras governamentais; países buscam destravar totalmente o comércio entre ambos, mas negociações não serão concluídas no curto prazo

Cláudia Trevisan, enviada especial, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2015 | 18h53

CIDADE DO MÉXICO - Os presidentes Dilma Rousseff e Enrique Peña Nieto anunciaram nesta terça-feria, 26, o início das negociações do mais ambicioso acordo comercial do Brasil desde a criação do Mercosul, em 1991. O objetivo é abranger todo o comércio entre Brasil e México, com inclusão de produtos agrícolas, serviços e compras governamentais.  

Atualmente, existem dois acordos de preferência tarifaria entre os países, que abrangem 12% da corrente de comércio, segundo Antônio Simões, subsecretário de América do Sul, Central e Caribe do Itamaraty. "A ideia é buscar, na medida do possível, a liberalização integral do comércio", afirmou.

As negociações começarão em julho e não serão concluídas no curto prazo. "Isso não se faz em seis meses", disse Simões. Quando um repórter perguntou se os dois países fechariam um acordo de livre comércio, o diplomata respondeu: "Você é que está falando".

Os países também assinaram um acordo de cooperação e facilitação de investimentos, para dar previsibilidade e reduzir riscos nos negócios bilaterais. Para Dilma e Peña Nieto, o tratado e a nova negociação comercial "atualizam" o relacionamento entre os dois países. Em seu pronunciamento na assinatura de atos, a presidente brasileira afirmou que os dois países não podem continuar "de costas" um para o outro.

Duas maiores economias da América Latina, Brasil e México possuem comércio que representa menos de 2% de suas exportações e importações. O Brasil vende mais para a Índia e a Coreia do Sul do que para o seu vizinho do norte.

"Nossos números estão aquém do nosso potencial, do tamanho da nossas economias e da força de nossos nossos povos", declarou Dilma. Os dois presidentes previram que o comércio entre os dois países poderá dobrar na próxima década.

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