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Brasil negocia empréstimo de US$ 850 milhões do Bird

O governo está negociando com o Banco Mundial (Bird) um empréstimo de US$ 850 milhões para programas nas áreas de energia e supervisão bancária. A operação, que segundo o presidente do Bird no Brasil, Vinod Thomas, ainda precisa ser aprovada pela direção do banco em reunião marcada para 13 de junho, está incluída entre projetos da instituição para médio e longo prazos no País, e os valores vão ingressar diretamente nas reservas internacionais do País.A avaliação do Bird em relação ao futuro da economia brasileira é extremamente otimista, a despeito das recentes crises no cenário internacional. Além dos avanços na área social destacados como "fenomenais", o ingresso de investimentos estrangeiros diretos, que continua forte no País, é visto como um diferencial.Por isso, o rebaixamento da recomendação de compra de títulos da dívida externa brasileira, feita por bancos como J.P Morgan, Morgan Stanley e Merril Lynch, deve ser melhor analisado, segundo o vice-presidente do Bird para América Latina e Caribe, David de Ferranti. Juntamente com Thomas, ele esteve nesta terça-feira com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga."As análises (dos bancos) são importantes, mas não se deve acreditar em tudo o que eles dizem", afirmou Ferranti. Segundo ele, os mercados fazem ajuste o tempo todo, "às vezes extremamente otimistas, outras pessimistas". Ele afirmou que, no fim do ano passado, o risco-Brasil caiu, mas o nível atual ainda é inferior ao verificado em 10 de setembro, antes do ataque terrorista aos Estados Unidos.Nem mesmo a escalada da dívida pública é motivo de preocupação neste momento, segundo o vice-presidente do Bird. "É preciso ter em mente não o tamanho da dívida, mas a capacidade de o governo administrá-la. O Brasil tem uma dívida grande, assim como a Itália", destacou Ferranti. Tanto ele quanto Thomas evitaram maiores comentários sobre o avanço de uma candidatura de oposição. O importante, segundo eles, é que, independente de quem venha a ser o novo presidente do Brasil, o País terá de continuar a registrar bons resultados sociais e fiscais."Faz parte da democracia. Os vencedores tendem a dar prosseguimento ao que está dando certo", disse Ferranti. O presidente do Bird no Brasil destacou ainda a importância do ajuste fiscal para que a economia possa crescer e avançar nos indicadores sociais. Com relação à Argentina, os executivos do Bird admitem que o país ainda demorará para sair da crise e defendem a tese de que a economia vizinha precisa mostrar resultados concretos para, só então, conseguir engajamento da comunidade financeira internacional na solução dos problemas. "O Bird já está ajudando. A situação lá é muito complexa. Temos de ver progresso para o país ter apoio financeiro externo", disse Thomas.

Agencia Estado,

14 de maio de 2002 | 20h14

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