Brasil negocia restrições de importação com China

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior iniciou, nesta quinta-feira, o processo de consulta ao governo chinês para negociar restrições às importações de quatro produtos: pedivela, escovas, óculos e armações de óculos, com ou sem lentes. O comunicado foi enviado nesta quinta pelo Ministério à Embaixada da China no Brasil. Este é o primeiro passo para a abertura de um processo de salvaguardas. Pelo decreto desse mecanismo, o Brasil precisa abrir um processo de consulta de 30 dias, nos quais Brasil e China tentarão chegar a um acordo que solucione os danos causados à indústria nacional pela importação de produtos chineses. Caso nesse período não seja fechado um acordo, o governo brasileiro abrirá um processo de investigação para determinar a aplicação de salvaguardas. Os processos de mais outros três produtos já estão em estágio avançado e também deve ser encaminhado ao governo chinês nos próximos dias. Ameaça Ao mesmo passo, o porta-voz de Assuntos Exteriores chinês, Liu Jianchao, anunciou que "a China não quer ser uma ameaça política para ninguém" e, que busca o lucro econômico mútuo com os países latino-americanos. A declaração foi feita enquanto Jianchao comentava o Fórum Econômico Mundial na América Latina, que acontece estes dias em São Paulo e, este ano, analisa, entre outros assuntos, o impacto da ascensão econômica chinesa na economia latino-americana. "A China está satisfeita com o desenvolvimento das relações com a América Latina, e espera que as duas partes se beneficiem delas", acrescentou. Fórum No fórum realizado em São Paulo, dirigentes políticos, econômicos e empresariais destacaram que o crescimento da economia chinesa, que deve superar 9% em 2006, gera grandes oportunidades para a América Latina, mas também representa um desafio por causa da entrada em massa de produtos manufaturados do país. Em 2005, o volume de comércio entre a China e a América Latina chegou a US$ 50,457 bilhões, um aumento de 26% em relação a 2004, segundo números do Ministério de Comércio chinês. A balança comercial foi ligeiramente favorável para os países latino-americanos, que exportaram para a China um valor de US$ 26,77 bilhões e importaram US$ 23,68 bilhões. Os dez maiores parceiros comerciais latino-americanos da China foram, respectivamente, Brasil, México, Chile, Argentina, Panamá, Peru, Venezuela, Costa Rica, Colômbia e Cuba.

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