Iara Morselli/Estadão
Iara Morselli/Estadão

Brasil ‘parece flertar perigosamente com o passado’, diz fundo Verde, de Stuhlberger

Alerta está na carta mensal da gestora e critica ‘seguidas tentativas’ de furar teto de gastos e ‘operações de cunho eleitoral’

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2021 | 12h24

O Brasil "parece flertar perigosamente com o passado". O alerta está na carta mensal da fundo Verde, do gestor Luis Stuhlberger. "As seguidas discussões recentes sobre tirar gastos do teto, com vistas a operações de cunho eleitoral, sinalizam uma preocupante vontade de reviver de modo permanente o ‘acelerador fiscal’ (...), o que tende a dificultar a performance dos ativos de risco brasileiro e reverter, ou prejudicar, o processo de aprofundamento e sofisticação do mercado de investimentos no Brasil", diz o texto.

Na carta, a gestora de Stuhlberger indica que é bem provável que investidores terão perdas caso essa "volta ao passado" se concretize. "O fundo não está posicionado para esse cenário. Não temos convicção de que isso vai acontecer, embora nossas dúvidas sejam crescentes. Mas essa transição, ou incerteza entre os dois modelos, tem tornado o processo de gestão muito mais complexo", escreveram os gestores. 

Os gestores da Verde apontam ainda que acreditavam que seria temporário o uso de "dois aceleradores, fiscal e monetário, simultaneamente" justificado, no ano passado, pelos efeitos da pandemia na economia. Porém, o "primeiro semestre de 2021, em parte por conta das variantes mais contagiosas, em parte por conta das falhas em acelerar a vacinação, acabou não vendo isso", diz o texto.

"Tivemos mais gastos fiscais, enquanto a autoridade monetária se via às voltas com vários desafios de calibragem da taxa de juros, dada uma série de choques de oferta que tem afetado o país e o mundo (cadeias de suprimento globais sofrendo com retomada, faltas de chuva no Brasil, etc.)", acrescentam os gestores da Verde.

Prejuízo em julho

Na carta, os gestores mostram que foram surpreendidos não só pelo desvio de rota na política fiscal,  mas também pelo desempenho dos preços dos ativos domésticos. "O mercado brasileiro vem sofrendo nos últimos dois meses, indo na direção contrária da nossa expectativa, que associava a aceleração da vacinação com reabertura econômica, melhora de expectativas, e, portanto, boa performance de ativos de risco", escreveram os gestores.

Em julho, o fundo multimercado (Verde FIC FIM) de Stuhlberger teve queda de 2,16%, devolvendo boa parte do ganho acumulado no ano até junho. Assim. No fim de julho, os cotistas do fundo tinham ganho de 1,28%, menos do que o CDI (+1,63%) no período.

Na carta, a gestora demonstra que houve perda nas três carteiras (books): moedas, renda fixa e ações. A perda mais significativa veio dessa última. Julho teve queda generalizada de preços no mercado acionário brasileiro e foi quando o Ibovespa perdeu 3,94%, interrompendo uma sequência de quatro meses de encerramento mensal com sinal positivo.

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