García Medina/EFE - 11/1/2022
García Medina/EFE - 11/1/2022

Brasil passa a exportar energia para a Argentina em meio à onda de calor na América do Sul

No ano passado, foi o Brasil que teve de recorrer à eletricidade do vizinho como medida de combate à crise hídrica

Denise Luna e Wilian Miron, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2022 | 19h34

RIO E SÃO PAULO - Depois da pior crise hídrica em 91 anos, o Brasil está exportando energia elétrica para a Argentina, informou ao Estadão/Broadcast o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Ciocchi. Segundo ele, no início desta semana, a Argentina solicitou a importação de 150 megawatts (MW), depois 300 MW, subindo para 500 MW, 1.000 MW e agora 1.500 MW, que foram fornecidos durante algumas horas para o país vizinho.

“Apesar da ajuda que a gente deu, não foi possível segurar alguns incidentes, não foi suficiente por algum outro problema estrutural da Argentina, um problema de ponta por causa do calor”, disse Ciocchi.

No ano passado, em meio à estiagem, o Brasil importou eletricidade da Argentina, para garantir o abastecimento. “Uma das coisas que funciona bem aqui no Cone Sul é a integração energética Brasil-Argentina-Uruguai”, afirmou Ciocchi.

Em meio a uma intensa onda de calor, que ultrapassou 40 graus Celsius, uma queda de energia afetou cerca de 600 mil usuários no norte e sul da região metropolitana de Buenos Aires na última terça-feira, 11. O serviço foi interrompido depois que a demanda de eletricidade ultrapassou 27 mil MW.  

Por causa da demanda elevada, da mesma forma como ocorreu com o Brasil no ano passado, o governo da Argentina pediu nesta quinta-feira, 13, que houvesse redução no consumo de energia na indústria e em órgãos de administração pública, a fim de evitar apagões como o de última terça-feira. Mas, de acordo com Ciocchi, a crise argentina é bem diferente da que o Brasil atravessou em 2021, por causa da crise hídrica.

“A situação que a Argentina viveu recentemente não tem as mesmas características que vivemos aqui, que foi uma crise mais estrutural, do ponto de vista de que aqui foi uma crise hídrica. O problema na Argentina foram as altíssimas temperaturas, que fizeram o consumo de ar condicionado sair fora da curva, um pico enorme de consumo de energia", explicou Ciocchi, observando que também houve um problema na operação de uma usina no país vizinho.

O intercâmbio energético entre Brasil, Argentina e Uruguai vem sendo utilizado há muito tempo, com sucesso, pelos três países, afirmou Ciocchi. Assim como no ano passado, os dois países poderão voltar a exportar energia para o Brasil este ano, no período seco do Centro-Sul (abril a outubro), já que a crise de agora na Argentina é pontual.

“Esse intercâmbio, essa importação e exportação são absolutamente corriqueiras, e ambos os países, o Uruguai com menos intensidade, podem ser acionados a qualquer momento, estamos sempre em contato”, informou Ciocchi.

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