Brasil pede maior abertura do mercado chinês

O Brasil pediu à China uma maior abertura de seu mercado para impedir que o saldo comercial negativo do País com Pequim se amplie ainda mais nos próximos meses. Há poucos anos, a relação entre Brasil e China era classificada como "extraordinária". Hoje, o governo já não teme usar palavras como "decepção e preocupação". O ministro das Relações Exterior brasileiro, Celso Amorim, alertou ao governo chinês que caso o déficit comercial do País com Pequim não for reequilibrado, as "pressões protecionistas" podem surgir no Brasil. Hoje, Amorim se reuniu com o ministro das Relações Exteriores da China, Yang Jianchi, e afirmou estar "preocupado" com o déficit crescente do Brasil com os chineses.Somente em janeiro deste ano, o déficit brasileiro atingiu a marca dos US$ 882 milhões, quase metade de todo o déficit registrado ao longo do ano passado, de US$ 1,8 bilhão. Hoje, a China já disputa com a Alemanha o título de maior exportador do planeta e poderá fechar o ano com a nova posição.Em janeiro, as vendas da China para o Brasil aumentaram 94%, somando US$ 1,5 bilhão. Enquanto isso, as vendas brasileiras no país asiático não chegaram a US$ 700 milhões. "Eu insisti que estamos preocupados com o déficit na balança comercial. Lembrei a ele que as reações no Brasil quando o governo declarou a China como uma economia de mercado foram negativas. Por isso mesmo é que até hoje não implementamos as medidas nesse sentido", disse.Amorim alertou ao chinês sobre uma "provável reação protecionista" no Brasil caso o déficit continue a aumentar. "A solução, como indiquei a ele, é que a China se abra mais a nossos produtos, como carnes e que volte a comprar aviões", afirmou o chanceler.InvestimentosAmorim também afirmou que demonstrou sua "decepção" aos chineses em relação aos investimentos de Pequim no Brasil. "Deixei claro que não estávamos satisfeitos com os níveis de investimentos diretos da China no Brasil", disse. "Os fluxos não estão ocorrendo da maneira esperada ou desejada", afirmou.Na avaliação de Amorim, investimentos maiores da China no Brasil também poderiam contrabalançar o déficit comercial existente entre os dois países. Ele citou o caso dos países latino-americanos que contam com déficits comerciais importantes com o Brasil, mas que podem compensar com investimentos. "A China pode fazer o mesmo conosco", disse Amorim.O Brasil, que por anos manteve um superávit com a China, hoje se encontra na mesma posição de americanos e europeus, que não sabem mais o que fazer para impedir que o buraco nas contas com Pequim aumente. No ano passado, a China teve um superávit recorde de US$ 262 bilhões com o resto do mundo, o maior já registrado por um só país. Nos Estados Unidos, o déficit já chega a US$ 250 bilhões.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.