Brasil perde espaço para a China nos EUA e no México

O Brasil perdeu espaço para a China em clientes importantes para os manufaturados, como Estados Unidos e México. A fatia dos exportadores nesses mercados recuou a níveis similares aos de 2002, antes do recente boom exportador do País.

, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2010 | 00h00

Nos 12 meses encerrados em junho, o Brasil respondia por apenas 1,26% do que os americanos importavam - nível similar ao 1,30% de 2002, conforme estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A fatia do País oscilou nos últimos anos e chegou a 1,51% em 2005.

A situação é parecida no México. Nos 12 meses até maio deste ano, a fatia brasileira das importações mexicanas era de 1,42%. O Brasil, que respondia por 2,39% das compras do México em 2005, voltou para os níveis de 2002 (1,35%).

A China, em compensação, avançou rápido. A participação dos chineses nas importações mexicanas saiu de 2,99% em 2002 para 13,97% nos 12 meses encerrados em maio deste ano. Nos EUA, o gigante asiático saiu de 9,9% do total importado em 2002 para 18,5% nos 12 meses encerrados em junho.

"A concorrência está mais difícil por causa dos problemas competitivos da indústria, como carga tributária e logística. O câmbio é apenas um deles", diz Soraya Rosar, gerente-executiva do departamento de negociações internacionais da CNI.

A fabricante de calçados infantis Bibi reduziu as exportações de 25% da produção para 15% nos últimos cinco anos. "O real forte afetou nossa competitividade, mas o mercado doméstico compensou as perdas", diz Marlin Kohlrausch, presidente da empresa.

A fabricante de produtos de cama, mesa e banho Teka praticamente desistiu do mercado externo. A fatia da produção da empresa destinada à exportação caiu de 35% para 7% em quatro anos. "Não estamos fazendo nenhum esforço exportador. Não vale a pena", conta o vice-presidente Marcelo Stewers.

Recuperação. Na Argentina, o Brasil recuperou parte do mercado que perdeu para a China. Em 2009, o País respondia por 29,8% das compras externas do vizinho e sócio do Mercosul. No acumulado de 12 meses até junho, esse porcentual subiu para 31,5%. Em 2002, estava em 25,2%, mas já chegou ao pico de 35,6% em 2005.

Os chineses vinham avançando consistentemente. A participação do gigante asiático nas compras da Argentina saiu de 5,3% em 2002 para 12,7% em 2009. Nos 12 meses encerrados em junho deste ano, no entanto, caiu para 12,1%.

O Brasil vinha sofrendo com barreiras comerciais na Argentina, como a adoção de licenças de importação. Depois de ameaças de retaliação do governo brasileiro, os argentinos apertaram o cerco contra os chineses. "Ainda é cedo para saber se é tendência, mas parece que está surtindo efeito", diz Soraya, da CNI.

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