Brasil perde mais que México com Alca, diz especialista

A diretora do Global Trade Watch, divisão do grupo norte-americano Public Citizen, Lori Wallach, defende que o Brasil amplie os acordos comerciais com países vizinhos, em vez de assinar um acordo desvantajoso da Alca. Isso porque, a proposta norte-americana para o acordo é baseado no Nafta, que entrou em vigor em 1994. Na avaliação da advogada especialista em comércio e litígio internacional, ao contrário do que dizem os defensores do acordo da América do Norte, há fortes evidências de que o México piorou com o Nafta. Para o Brasil, pode ser ainda pior.E cita exemplos. Num primeiro momento, foram criados 800 mil empregos na região de fronteira com os Estados Unidos, para montagem de produtos finais, cujas partes são importadas ou dos próprios EUA ou de países asiáticos. Só que desse total, mais de 300 mil já foram perdidos.É que na prática, os ganhos de eficiência conquistados ao longo dos anos fizeram com que os mexicanos demandassem salários mais altos, para cerca de US$ 5/hora. "O que começaram a fazer então as empresas norte-americanas que se instalaram no México? Mudaram-se para Vietnã e China, onde a mão-de-obra custa US$ 1/dia", ressalta a professora.Nesse caso, o Brasil teria grande desvantagem. Por ter um parque industrial, com salários mais altos, dificilmente o País conseguirá atrair investimento direto estrangeiro dos Estados Unidos em decorrência da Alca.Mas não é só. Na agricultura, os resultados foram devastadores, segundo a especialista. 10 milhões de agricultores perderam seu meio de vida com a queda de 48% nos subsídios ao milho no país. "Isso destruiu o milho mexicano", diz.Ao mesmo tempo, o Nafta permitiu os subsídios à exportação, levando os Estados Unidos a tomarem o mercado de milho mexicano. Em consequência, os preços da tortilla, alimento-base dos mexicanos, subiram mais de 60% desde que o acordo entrou em vigor. "O México é, sem dúvida, exemplo claro do que a Alca pode fazer para o Brasil", finaliza.Em agosto, Lori Wallach participa do Encontro Juridico Continental sobre a Alca, em Piracicaba. O evento é iniciativa da Faculdade de Direito Universidade Metodista de Piracicaba, do Centro Acadêmico de Direito "XV de Agosto", Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo, Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho, Federação Nacional dos Juizes Federais, Prefeitura Municipal de Piracicaba, Grito dos Excluídos Continental e Jubileu Sul.

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