Brasil perde nove posições no Índice de Competitividade Global

O Brasil caiu da 57ª para a 66ª colocação no Índice de Competitividade Global 2006-2007 do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), ficando abaixo dos demais integrantes do grupo BRIC - Rússia, Índia e China - e de vários outros grandes países emergentes. A queda do Brasil, segundo os organizadores do estudo, se deve principalmente a seu fraco desempenho em dois dos nove `pilares´ que contêm os critérios utilizados para a elaboração do ranking: fatores macroeconômicos - no qual ocupa a 114a posição - e institucionais. Déficit fiscal, elevado endividamento público, juros elevados, baixo crescimento econômico, carga tributária excessiva e deficiências na máquina administrativa e corrupção são os destaques negativos do País.Entre os grandes países emergentes, a Índia ocupa a 43ª posição, África do Sul a 45ª, a China a 54ª, o México a 58ª e a Rússia a 62ª. Na América do Sul, o Chile é o melhor posicionado, no 27º lugar. Até a competitividade da Colômbia, 65ª, supera a do Brasil. A Argentina está logo atrás, na 69ª posição."Melhorou, mas menos que outros"O economista-chefe do WEF, Augusto Lopez-Claros, ao explicar os motivos que levaram à queda do Brasil no ranking, destacou os fatores macroeconômicos, entre eles o déficit público, que ficou em 3,3% do PIB no ano passado. Com isso, o País caiu da 68ª para 83ª posição nesse critério "Isso pode parecer estranho para um brasileiro, que percebe uma nítida melhora das finanças do país nos últimos anos", disse Lopez-Claros. "Mas o problema é que nosso levantamento faz uma comparação entre outros países e muito deles melhoraram mais do que o Brasil nessa área". Ele observou que quando instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) atestam a melhora dos fundamentos da economia brasileira, "elas não estão estabelecendo uma comparação com outros países, como o Chile, por exemplo, mas com o passado do próprio Brasil". Segundo o Lopez-Claros, o Brasil também registra um crescente nível de endividamento público. "Ao longo do tempo, a menos que a economia cresça rapidamente, o que não está acontecendo, o nível de endividamento deve aumentar", disse. Segundo ele, o alto volume de dívida do governo e um spread grande na taxa de juros indicam um alto custo de intermediação no setor bancário brasileiro, que gera efeitos negativos sobre investimentos no setor privado e contribui para menor crescimento econômico. No critério referente à "extensão e efeito" da carga tributária o Brasil está na 125ª posição. "Fraqueza institucional"No pilar relacionado às instituições, o Brasil ocupa a 91ª posição. Alguns dos critérios nos quais a performance do país é muito fraca são o "desvio de fundos públicos" (121º lugar no ranking), "desperdícios dos gastos governamentais" (119º) e "confiança nos políticos´ (119º). "As informações que chegam do Brasil, como por exemplo as recentes notícias sobre o número de parlamentares sob investigação criminal, não ajudam a imagem do País", disse. Entre os fatores "mais problemáticos para se fazer negócios no Brasil", o estudo destaca o sistema tributário, o regime trabalhista, a "burocracia ineficiente do governo", infra-estrutura inadequada, acesso a financiamento e a corrupção. "Vontade política"A melhor performance do Brasil foi registrada nos pilares `sofisticação de negócios´ e `inovação´. Em ambos o país ocupa a 38ª posição. No critério referente a `educação primária e saúde´ o país também está numa posição considerada positiva, a 47ª.Segundo Lopez-Claros, o Brasil possuiu uma série de características que oferece a perspectiva um potencial de maior crescimento econômico e melhora das condições sociais nas próximas décadas. "Trata-se de um país com uma tendência demográfica positiva, uma população jovem que vai engrossar a massa de consumidores, uma economia sofisticada e que atrai substanciais investimentos diretos estrangeiros", disse. "Sou mais otimista com o Brasil do que por exemplo com a Rússia, cujos níveis de corrupção são endêmicos, a população está encolhendo e a economia depende principalmente do petróleo."A exemplo da maioria dos analistas internacionais, ele acredita que a melhora da competitividade brasileira requer a implementação de reformas macro e microeconômicas que aceleram o potencial de crescimento e a situação fiscal, fortalecimento das instituições e maior eficiência na máquina administrativa pública. Ele citou o exemplo do Chile, que ao longo da última década alcançou significativos avanços nessas áreas. "O Brasil pode fazer o mesmo? É óbvio que sim, tem uma população educada, um setor empresarial muito sofisticado.", disse. "Tudo depende da vontade política."Para a elaboração do ranking, cujos critérios foram ampliados neste ano o WEF utiliza, além de indicadores econômicos , os resultados do seu estudo anual "Pesquisa de Opinião de Executivos´. Esse ano, mais de 11 mil líderes corporativos nos 125 países incluídos no ranking participaram da pesquisa. No Brasil, aproximadamente 200 líderes empresariais foram entrevistados.

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