Karla Mendes/Estadão
Karla Mendes/Estadão

Brasil perde terreno na OCDE para Argentina

Candidatura brasileira enfrenta oposição dos EUA, que são contra ampliar demais a organização; excesso de candidatos também é problema

Andrei Netto, correspondente, Impresso

09 Setembro 2017 | 05h01

PARIS - A candidatura da Argentina é, por ora, “mais consensual” do que a do Brasil para membro da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A constatação foi feita ontem após nova reunião técnica do conselho da entidade, que também discutiu os processos de adesão de Peru, Croácia, Romênia e Bulgária, que completam a lista de candidatos.

O Brasil enfrenta dois empecilhos maiores nas suas pretensões de entrada na OCDE, uma espécie de clube dos países desenvolvidos: o excesso de candidatos e a oposição dos Estados Unidos a uma ampliação grande demais do organismo.

A reunião do conselho da OCDE foi a segunda desde que a candidatura do Brasil foi oficializada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Cortejado há mais de uma década pela organização, o governo brasileiro imaginava que o processo seria acelerado, mas o que se vê é o contrário: a reticência dos países-membros em abrir demais o “think tank”, que hoje tem 36 sócios entre as nações mais ricas do mundo.

Ontem, os representantes nacionais voltaram a discutir o “mapa do caminho” para a adesão dos seis países. O documento estabelece as condições, modalidades, processos e prazos para a análise das candidaturas. A reunião aconteceu a portas fechadas, mas o Estado apurou que o otimismo manifestado pelo ministro da Fazenda não se traduz em realidade – pelo menos por enquanto.

O maior problema é que, liderado pelos EUA, um bloco de países questiona se a abertura de tantas análises de candidaturas simultâneas não acabaria paralisando a entidade nos próximos dois anos. Um alto dirigente da OCDE com o qual a reportagem conversou, sob a condição de anonimato, confirmou que a indefinição persiste. “Hoje houve uma reunião em que se falou da questão do acesso do Brasil e dos demais países. Ainda não está nada definido. São 36 países que têm de chegar a um acordo. A situação avançou, mas ainda não se sabe quantas candidaturas serão aceitas”, explicou o executivo.

Segundo o dirigente, está em curso discussão para organizar uma lista de países prioritários. “A grande questão neste momento é quais países estarão na primeira leva. Vai haver um trabalho diplomático nas próximas semanas”, disse, reconhecendo: “A Argentina parece ser um país mais consensual. O Brasil é um país muito importante, mas ainda não necessariamente existe um consenso em torno de seu nome”.

Pesa em favor da candidatura brasileira o fato de o País ter um maior envolvimento com a OCDE, por já integrar diversas comissões. “A opção do Brasil não entrar não pode estar na mesa. Seria nefasto para todas as partes. Tenho esperança de que as coisas aconteçam e sejam feitas o mais rápido possível”, ressaltou o dirigente.

Em julho, o embaixador brasileiro em Paris, Paulo César de Oliveira Campos, já havia afirmado que a alta integração do País às comissões da organização ajudariam na candidatura. “O processo pode ser mais rápido porque o Brasil tem envolvimento grande com a OCDE, participando de 23 comitês.”

A suposta resistência dos EUA ao Brasil não voltou à tona ontem, quando os representantes americanos não se pronunciaram sobre a candidatura do País, preferindo estudar as opções para se posicionarem nas sessões seguintes.

A próxima reunião do conselho da OCDE será dia 25, quando se espera haja avanço ou até mesmo definição dos países cujas candidaturas serão consideradas prioritárias.

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