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Brasil perderá US$ 400 mi em exportação com barreira da UE

O Brasil deve deixar de exportar cerca de US$ 400 milhões por ano em carne de aves à União Européia (UE) depois que o bloco impuser as cotas e tarifas anunciadas no final de junho. A data para implementação dessas barreiras ainda não foi anunciada. As perdas na exportação foram calculadas pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef) levando em conta que as tarifas vão barrar o crescimento das vendas brasileiras (de 22% ao ano, em média) de carne in natura e industrializada. Em 2006, as exportações devem ficar em torno de US$ 500 milhões. Os embarques que excederem as cotas vão pagar tarifas entre 1.024 e 1.300 euros por tonelada. Hoje as exportações brasileiras pagam 8,5% no caso da carne de peru industrializada, 10,9% na carne de frango industrializada e 15,4% no peito de frango salgado. Esses percentuais continuarão valendo mesmo após a implementação das tarifas. Como as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) respaldam a manobra da UE, o Brasil vai tentar, no próximo dia 13, negociar o tamanho dessas cotas. A reunião será realizada em Genebra, Suíça, na sede da OMC. Mas Ricardo Gonçalves, presidente da Abef, argumenta que qualquer que seja a negociação o resultado será negativo para o Brasil. "Nossas vendas, que crescem 22% ao ano, ficarão limitadas a um determinado volume". O crescimento tem sido tão importante que qualquer cota não vai compensar a perda de volume, diz, atualmente em torno das 350 mil toneladas.Gonçalves ressalta que a UE importa apenas 6,5% do consumo interno de carne de aves, ou 700 mil toneladas por ano, e que, portanto, o frango brasileiro não tira mercado do produtor europeu. "A medida vai contra a liberação comercial que a Europa prega", afirma. Medidas jurídicas contra a UE só serão avaliadas após as negociações das cotas. Mas o setor descarta pedidos para que o governo brasileiro retalie o bloco. "Retaliação é o pior dos mundos e não resolve o problema porque vai envolver outros setores que não têm a ver com esta questão", afirma Marcos Jank, do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone). Ele avalia que o caso vai dificultar ainda mais uma eventual retomada das negociações bilaterais entre UE e Mercosul e mesmo as discussões na rodada de Doha da OMC. "A Europa está erguendo uma verdadeira muralha protecionista. Há restrição a todo tipo de produto agrícola exportado pelo Brasil", afirma. Com poucas chances de reverter a decisão européia, o setor reivindica uma atuação mais enérgica do governo brasileiro no caso. "Temos visto pouco engajamento do governo. A questão política tem que ser acionada, o setor representa 1,5% do PIB brasileiro e é o sexto item na pauta das exportações do país", afirma Gonçalves.

Agencia Estado,

05 de setembro de 2006 | 20h31

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