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Brasil planeja formar bloco dos emergentes na reunião do FMI

O Brasil planeja formar um bloco de países emergentes na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) para votar contra um projeto de reforma da entidade que dará mais poder de voto à China, Coréia, Turquia e México. O encontro ocorre em Cingapura nos próximos dias e, além de tentar impedir a aprovação da mudança, o Brasil começará a estudar novos critérios que sirvam de base para que um maior voto seja dado a um país no Fundo. As mudanças que serão discutidas afetarão as cotas de cada país no FMI, o que acaba determinando o acesso de países a financiamento e poder de voto. No FMI, o discurso é de que, sem essa reforma, a entidade de mais de 60 anos pode se tornar ultrapassada e dominada por americanos, japoneses e europeus. "Se o Fundo ainda quer ser relevante para seus membros, sua estrutura de governo precisa ser adaptada às novas realidades", afirmou o diretor-executivo do FMI, Rodrigo Rato, que planeja para 2008 reformas mais profundas. Fontes em Brasília apontam que a posição do governo brasileiro, porém, não visaria minar os países emergentes que foram escolhidos para serem graduados pelo FMI. O problema é que essas economias estariam ganhando mais espaço às custas da participação de outros países emergentes, e não dos países desenvolvidos. A queixa brasileira é de que economias européias como Holanda, Bélgica e Suíça, continuarão com o mesmo grau de influência, quando seriam esses países que teriam de sofrer com uma reforma do Fundo. Não por acaso, a Europa já disse que vai apoiar a resolução, proposta pelo próprio Rato. No governo brasileiro, a percepção é de que a direção da reforma será prejudicial ao País no médio prazo, já que "diluirá" ainda mais o poder do Brasil de influenciar eventuais decisões do FMI. O Brasil espera contar em Cingapura com o apoio de Argentina, Chile e outros países de economia média para evitar a aprovação da resolução. Já os mexicanos, que serão beneficiados pela proposta, estão conscientes de que o Brasil fará campanha contra a resolução. "Sabemos que a idéia não é bem recebida pelo governo brasileiro", afirmou um representante do Banco Central mexicano. "Vamos tentar conversar em Cingapura sobre como resolver isso", afirmou. Já o presidente do Banco Central chinês, Zhou Ziaochuan, evitou entrar em polêmica. "As posições dos países ainda não estão definidas", afirmou. Além de votar contra a proposta, o Brasil começará a negociar uma idéia de estabelecer novos critérios para as futuras mudança nas cotas. Segundo Brasília, os critérios hoje favorecem as economias menores na Europa. Já os europeus irão ao encontro do FMI aliados diplomaticamente a vários governos asiáticos, entre eles China e Coréia. A União Européia acertou com a Ásia que não irá se opor à resolução, contanto que isso não queira dizer que perderão espaço dentro do FMI. Nesta segunda-feira, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deixa a Suíça em direção à Ásia. Meirelles participou da reunião bimensal do Banco de Compensações Internacionais (BIS) na Basiléia. Na quinta-feira, em Kuala Lumpur, participará de um encontro com bancos centrais asiáticos e latino-americanos para a troca de experiências e avaliações sobre o crescimento econômico e inflação.

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