Brasil pode abrir contencioso na OMC contra EUA, diz Unica

Segundo presidente da entidade, discussões sobre etanol em Doha estão avançando, principalmente com a UE

Eduardo Magossi, da Agência Estado,

28 de julho de 2008 | 13h37

O presidente da Unica, Marcos Jank, que está em Genebra acompanhando as negociações da Rodada Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC) disse, nesta segunda-feira, 28, por telefone, à Agência Estado, que as discussões em torno da liberalização do mercado de etanol avançaram de forma considerável nos últimos dias, principalmente em relação à União Européia, onde o imposto existente sobre o etanol importado é considerado tarifa e, por isso, passível de ser discutido dentro da rodada da OMC. Veja também:Entenda o que está em jogo na Rodada Doha da OMCPaíses pobres deixam discussão sobre acordo de banana na OMCTroca de acusações marca 2ª semana de reuniões na OMCEUA e UE estão preocupados com direção das negociações da OMC "Já o imposto norte-americano, de US$ 0,54 por galão, não é considerado uma tarifa dentro da legislação dos EUA. Ela é considerada como um instrumento de neutralização dos subsídios internos. Então, para ser negociada, os Estados Unidos teriam que transformá-la oficialmente em tarifa, pois é isso o que ela é", disse Jank. Segundo ele, se os Estados Unidos não retirarem o imposto do etanol de dentro de uma categoria de "outras tarifas", onde não há negociação, o Brasil deve abrir um contencioso na OMC contra os norte-americanos, questionando a existência deste instrumento protecionista. "Tudo vai depender de como terminar a Rodada Doha", disse. Em relação à União Européia, Jank disse que o corte esperado na tarifa do etanol de 57% foi substituído por um corte de 19% mais uma cota. "Mas a cota sugerida pelo bloco europeu não foi aceita pelos países exportadores de etanol. Queremos e estamos negociando um volume maior já que, no geral, o que está acontecendo é que o que estão nos oferecendo são cortes menores e prazos maiores que o que estávamos esperando", disse. Jank disse também que, no geral, as perspectivas não são muito positivas no momento em função da questão agrícola. "Ainda há divergências de dois países, Índia e China, que estão criando tensão aqui em Genebra e que podem acabar com os esforços feitos durante sete anos pelos negociadores. Será uma pena", explica.

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