Brasil pode atingir taxa de investimento desejável em cinco anos

Patamar atual não é suficiente para crescimento sustentável, crê ex-presidente do BC, Armínio Fraga

Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, da Agência Estado,

22 de fevereiro de 2010 | 13h57

O ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, Arminio Fraga, disse nesta segunda-feira que a taxa de investimento (investimento em relação ao Produto Interno Bruto) desejável para o Brasil é de 23% a 25% e acredita que esse patamar poderá ser alcançado em cinco anos. O economista acredita que a taxa atual, de menos de 20%, não é suficiente para um crescimento sustentável nos próximos anos.

 

"A taxa esta subindo, minha esperança é que suba ainda mais, temos que investir 23%, 25% do PIB, mas isso vai exigir poupança, financiamento, capital de risco", afirmou. Segundo ele, o papel do estado será fundamental para o aumento da taxa. "O problema do Orçamento no Brasil é que é muito rígido e carregado de despesas correntes", afirmou, acrescentando que "o PAC tem sua utilidade, mas do ponto de vista macroeconômico não teve ainda impacto relevante".

Indagado por jornalistas se o crescimento de 6,4% previsto para o Brasil pelo economista do Goldman Sachs, Paulo Leme para 2010 é possível, Fraga respondeu que "prefiro não fazer projeções de curto prazo. Que a economia esta se recuperando e forte é inquestionável. Fiquei feliz de ouvir a projeção de Leme e acredito que se possa chegar lá, se é sustentável ou não é outra questão. Depois de um ano de recessão, é natural que se cresça mais", disse em entrevista após participar de seminário sobre os Brics no Rio.

 

Moeda Chinesa tende a se desvalorizar, acreditam Fraga e economista do Goldman Sachs

O economista chefe do Goldman Sachs, Jim O'Neill, e Armínio Fraga acreditam que a moeda chinesa (Yuan) tende a se valorizar no futuro. De acordo com O'Neill, a taxa de câmbio chinesa já cresceu 20% nos últimos cinco anos e está "perto do valor justo". Ele considera que "as pessoas do Ocidente estão exagerando a questão da taxa de câmbio chinesa'.

 

O economista do Goldman Sachs avalia que a prioridade da política econômica chinesa é controlar a inflação local e, por isso, a tendência é que as autoridades naquele país ofereçam mais flexibilidade para que a taxa de cambio. Segundo ele, quando os chineses pensam no futuro é em termos muito mais longos do que os Ocidentais.

 

No mesmo sentido, Armínio Fraga considera que gradualmente a China terá uma moeda forte. "Até para que possam ter um instrumento de política monetária tradicional, que hoje, eles não tem", disse. Fraga disse não ver a China tendo como referência o dólar no futuro. "Todos os países que se desenvolveram viram suas moedas se fortalecerem ", afirmou.

O'Neill observou ainda que as mudanças no câmbio na China precisam ser vistas como boas para o povo chinês e não como algo para ajudar Obama (Presidente dos Estados Unidos), Barak Obama) ou Bruxelas (sede administrativa da União Europeia)".

 

De acordo com ele,"não ajuda nada quando Bruxelas ou Washington fazem tanto ruído com a taxa de câmbio chinesa. Os dois economistas participaram do seminário "Uma agenda para os Brics", no Rio de Janeiro.  

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