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Brasil pode ceder gás à Argentina, diz Amorim

Chanceler reafirma cumprimento de contrato com a Bolívia, mas admite ajudar principal sócio do Mercosul

Marina Guimarães, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2008 | 00h00

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem que "o Brasil não pode, a priori, ceder o gás que compra (da Bolívia), mas isso não quer dizer que não possa socorrer a Argentina". Segundo ele, se houver necessidade da Argentina e disponibilidade do Brasil, "é claro que vamos ajudar, como já fizemos em vezes anteriores". O chanceler brasileiro está em Buenos Aires participando da reunião entre os países da América do Sul e da Liga Árabe.No sábado, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Bolívia, Evo Morales, e da Argentina, Cristina Kirchner, reúnem-se para discutir a questão da divisão do gás boliviano. Na semana passada, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, sinalizou que o volume previsto em contrato com o Brasil, de 30 milhões de metros cúbicos diários, poderá não ser cumprido, com parte deste gás sendo enviado à Argentina.Amorim reafirmou que o Brasil não abriria mão do direito de exigir o volume máximo de gás natural da Bolívia. O chanceler explicou que, no ano passado, a Petrobrás pôde ceder uma parte do gás, remetido pela Bolívia à Argentina, e também exportar energia hidrelétrica para o seu principal sócio do Mercosul. Neste momento, contudo, há uma grande dificuldade para repetir a fórmula, justificou.Em entrevista ao Estado, o ministro disse ainda que o País está disposto a colaborar para reduzir o déficit comercial entre Argentina e Brasil. "Para isso, já estamos trabalhando com o BNDES e com mais investimentos nas cadeias produtivas, mas isso não se resolve de um dia para o outro." Segundo o chanceler brasileiro, "o comércio mundial é cheio de déficits e superávits, e esse movimento vai mudando". No caso da Argentina, disse ele, as exportações ao Brasil crescem muito mais rápido do que as importações. "Vai chegar o momento em que haverá equilíbrio."Para Amorim, o importante é que há uma grande disposição para trabalhar conjuntamente, em joint ventures e com o apoio do BNDES. "Mas isso leva tempo. A vontade política existe e ajuda, mas não resolve tudo, precisa de tempo e de trabalho. E isso estamos fazendo."Sobre a reunião para aproximar as regiões da América do Sul e da Liga Árabe, presidida pelo chanceler argentino Jorge Taina, Amorim a classificou como muito produtiva. Ele lembrou que o comércio do Brasil com a região está crescendo muito, e "aumentou de US$ 5 bilhões para US$ 13 bilhões em cinco anos". E prevê que crescerá ainda mais.O secretário da Liga Árabe, Amr Moussad, disse ao Estado que "espera realizar grandes negócios com a região", e "as expectativas da integração são as melhores". Moussad elogiou "a iniciativa do presidente Lula" de impulsionar a integração. "A reunião foi muito boa, os negócios estão aumentando e as relações, também."

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