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''''Brasil pode crescer até 7%''''

Ermírio de Moraes deixou o tom crítico que sempre teve ante o governo Lula e diz que País vive novo ciclo

Entrevista com

Milton F. da Rocha Filho, O Estadao de S.Paulo

02 de outubro de 2007 | 00h00

O empresário Antonio Ermírio de Moraes, presidente do conselho de administração do Grupo Votorantim, e presidente executivo da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), se rendeu ao bom desempenho da economia brasileira. Sempre um crítico do governo Lula, o empresário acha que o Brasil vive um novo ciclo econômico, "sem emoções". Diz que a inflação está domada e que acredita num crescimento superior a 5% já este ano. "Fica até difícil dar uma entrevista para falar que há equilíbrio e que as coisas andam bem", admitiu. A seguir, os principais trechos da entrevista.O sr. disse que esta seria uma entrevista diferente. Por quê?Porque há um sentimento diferente em relação às outras vezes, quando eu dava entrevista e tinha que reclamar de muitas coisas erradas na economia. Hoje, as coisas andam bem, com mais equilíbrio e mais possibilidades de desenvolvimento do que de surgimento de problemas. Esta entrevista talvez seja a mais calma dos últimos 15 anos. Não há o que reclamar agora. Nós sentimos uma mudança muito grande e nos preocupamos em aperfeiçoar o gerenciamento das companhias. Não há perigo de inflação de demanda por aqui. A indústria está atenta e há muitos investimentos em andamento. Como o sr. vê o câmbio hoje? Está defasado?Avalio que o câmbio está bem hoje. Não é questão de estar defasado ou não. Precisamos ter uma certa competência e não apenas esperar que o câmbio (real) suba para salvaguardar o nosso interesse particular. O câmbio está indo bem. Acho que está em uma marcha bem razoável.Em que patamar seria bom que ficasse? Eu considero que o câmbio está bem na faixa atual. Não é preciso cair muito, para não se ter problema com inflação.As indústrias brasileiras estão melhorando sua produtividade? Acredito que houve uma melhora de modo geral. Nem a turbulência do mercado externo conseguiu perturbar a economia nacional. Todos sentiram isto, não dá para não deixar de falar que nos saímos bem da passagem de mais esta turbulência.Sobre essa turbulência, qual a sua percepção? Entendo que foi uma espécie de ataque especulativo que a economia brasileira, melhor estruturada, rebateu e não permitiu que nos atingisse como das vezes anteriores.Qual sua previsão para o crescimento do PIB? Acredito em um crescimento do PIB nos próximos três meses na faixa de 5%. Acho que o crescimento no ano poderá chegar a 6%, no máximo 7%. A gente sente que há crescimento econômico no País. No passado, quando era entrevistado, sonhava com crescimento de até 2%. Era um horror.O sr. acredita que o Brasil possa atingir logo o grau de investimento (investment grade) na classificação das agências de risco? Espero que sim. Nós (Votorantim) somos uma empresa que tem grau de investimento reconhecido no exterior.Qual sua expectativa para as exportações do Brasil e do Grupo Votorantim?Acho que as exportações brasileiras estão caminhando bem. Vamos atingir um superávit ao redor dos US$ 40 bilhões. Os importadores começaram a respeitar as vendas do Brasil. Hoje, as exportações estão mais contínuas. O mundo já compreendeu isso. O Brasil não é mais vulnerável aos ataques especulativos. Sobre o Grupo, temos preocupação com o mercado interno também. Queremos atender aos dois, isso é fundamental para segurança das nossas companhias. Hoje, temos mais competência. Na média geral, vamos muito bem. As exportações do Grupo devem chegar perto de US$ 6 bilhões.É factível a meta do Grupo de investir R$ 22 bilhões em quatro anos?Sem dúvida alguma nós poderemos chegar a R$ 22 bilhões em investimentos em quatro anos.

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