Brasil pode crescer mais de 5% ao ano com incentivo à exportação

Uma revolução no setor externo, com políticas de incentivo às exportações e à substituição competitiva de importações poderá fazer o Brasil voltar a crescer a índices superiores a 5% ao ano, no prazo de três anos, na visão do diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida. ?A taxa de crescimento desejável seria de 7% ao ano, que seria importante para reduzir o gap (diferença) em relação ao resto do mundo, principalmente em renda per capita?, afirmou Gomes de Almeida. Para ele, 4% ao ano, defendido pela Fiesp no documento ?O Brasil de Todos Nós?, é o ?feijão com arroz?. Nesse documento, a Fiesp levanta pontos econômicos e sociais para o debate sucessório. A pedido da Agência Estado, o diretor do Iedi, instituto que representa a ?inteligenza? da indústria nacional, analisou o trabalho e comentou seus principais pontos. ?O documento marca a tônica do pensamento empresarial, é inovador?, disse. Para ele, um aspecto fundamental da iniciativa da Fiesp é que o lado social foi bastante enfocado, ?e não só o econômico?. Júlio Sérgio Gomes de Almeida acredita que o País tem plenas condições de crescer a taxas maiores do que a Fiesp propõe porque ?tem um consumidor ávido, que responde muito favoravelmente ao aumento de renda e à melhora das condições de financiamento; um empresariado que investe mesmo com as elevadas taxas de juros atuais; e uma classe exportadora dinâmica?. Sobre o superávit da balança comercial, que a Fiesp pretende que cresça a 10% ao ano para chegar aos US$ 17 bilhões em 2006, com um processo competitivo de substituição de importações e aumento das vendas externas, o diretor do Iedi afirmou que ?não é fácil?. ?A meta é factível, mas precisa de um esforço muito grande na política de fomento às exportações e à substituição de importações. O setor externo tem de ser prioridade nos próximos três anos?, disse. ?Tem de suar a camisa, chamar o Felipão?, brincou. Na opinião dele, poderiam ser criados um Ministério do Comércio Exterior e financiamentos para a produção voltada à exportação. Sobre a reforma tributária, perseguida há tempos pela Fiesp sem muito sucesso, Gomes de Almeida afirmou que é preciso tirar do sistema tributário as atuais distorções. ?É sobre a indústria, os serviços e os assalariados que incide a maior carga de impostos. Todo o resto é subtaxado?, disse. Justiça fiscalSegundo ele, o governo e a Receita Federal se concentram muito na cobrança sobre quem não consegue fugir dos impostos, ou da maioria deles, como o trabalhador com carteira assinada e a indústria. ?É preciso desonerar a produção e implantar a justiça fiscal, com uma carga tributária de 28% a 30% do PIB, no máximo?, explicou. Hoje, o Brasil tem uma carga tributária de 34% do PIB. O diretor do Iedi defende que se criem leis de incentivo fiscais para que as empresas invistam mais sobre Pesquisa e Desenvolvimento (P & D). No documento ?O Brasil de Todos Nós, a Fiesp cobra o estímulo ao investimento privado para que, junto com recursos públicos, passem de 0,8% do PIB para 1,6% os dispêndios em P & D.

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2002 | 13h02

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