Wilton Júnior/ Estadão
Wilton Júnior/ Estadão

Brasil pode estar caminhando para nova recessão, dizem analistas

Mesmo com forte influência de fatores temporários no PIB do 1º trimestre, economistas dizem que há sinais de que atividade deve continuar fraca no 2º trimestre

Altamiro Silva Júnior, Caio Rinaldi e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 11h22

A queda de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre teve forte influência de fatores temporários, como a redução na produção de minério de ferro após a tragédia da barragem da Vale em Brumadinho (MG). Mas os sinais iniciais são de que a atividade deve seguir fraca no segundo trimestre do ano e o PIB pode vir novamente negativo, na avaliação da consultoria inglesa Capital Economics. Com isso, o Brasil entraria oficialmente em uma nova recessão (que se configura quando há dois trimestres seguidos de desempenho negativo).

“Há um crescente risco de que a economia se contraia novamente no trimestre atual”, disse William Jackson, economista para a América Latina da Capital Economics. “Existe, agora, um risco real de que a economia entre em recessão técnica”, destacou em relatório, observando os fracos números do investimento privado e a queda das exportações no período.

O economista prevê expansão de 1,5% para o PIB do Brasil em 2019, mas vê chance alta de o número ter de ser revisto para baixo. E este ambiente de baixo crescimento, segundo Jackson, pode trazer cortes de juros para a agenda do Banco Central.

A economista Giulia Coelho, da 4E Consultoria,  disse que a queda de 0,2% do PIB no primeiro trimestre é indício de estagnação tanto pelo lado da oferta, quanto pelo lado da demanda. “É difícil afirmar se vai retomar no segundo trimestre, temos muita incerteza no cenário.”

O resultado no primeiro trimestre veio em linha com as expectativas da 4E, disse a economista. Por isso, a consultoria mantém sua estimativa de alta de 1,0% do PIB em 2019. “A perspectiva é de que, com a reforma da Previdência, a economia volte a crescer a uma taxa em torno de 0,5% por trimestre, na margem, até o final do ano.”

Por outro lado, havendo uma frustração com a economia da reforma, ou até mesmo não aprovação, o PIB recebe um viés de baixa, declarou a economista da 4E.

Para Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim, a queda do PIB respondeu a um cenário externo mais adverso, com a desaceleração da economia na China e a recessão na Argentina, à renda mais fraca das famílias, por causa da aceleração da inflação no início do ano, e também a choques, como a redução da produção da Vale após a tragédia de Brumadinho (MG), e ao aumento da incerteza.

Ele disse não ver, porém, um cenário de recessão no Brasil e que a perspectiva é que a retomada lenta da economia siga seu curso. "O PIB negativo afetou e afeta a confiança, mas é um processo temporário." Para o segundo trimestre, o economista afirma que a expectativa é de que o PIB fique entre estável e levemente positivo.

No segundo semestre, a retomada se aceleraria, no cenário de Padovani, justamente porque vê um maior efeito da reversão da desaceleração econômica da China e também a diluição das incertezas, com a aprovação da reforma da Previdência.

O Banco Votorantim prevê que a reforma será aprovada em primeiro turno na Câmara antes do recesso parlamentar, com uma economia fiscal em dez anos de cerca de R$ 700 bilhões.

Padovani completa que o País só não continuaria em retomada caso haja novos choques negativos, como uma nova desaceleração da economia chinesa ou a não aprovação da reforma da Previdência ou uma aprovação de uma reforma fraca, coisas que não estão no cenário do Banco Votorantim.

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