Brasil pode exportar cosméticos para a Rússia

Brasil e Rússia devem iniciar em breve intercâmbio comercial de cosméticos, pelo que prevê carta de intenções com sete itens assinada nesta semana entre a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal e Cosméticos (Abihpec) e sua similar russa.Um dos itens mais importantes do acordo terá que passar pela análise dos governos dos dois países, porque diz respeito à isenção total de taxas e impostos sobre importações. Hoje, o imposto de importação russo é de 16%, e o brasileiro de 18% , nesse segmento químico."Se as propostas de isenção de parte a parte forem aceitas, será um importante fator de competitividade, pois a longa distância entre os dois países encarece muito o frete", avalia o presidente da Abihpec, João Carlos Basilio da Silva.Ele fez parte da m issão que acompanhou o presidente Fernando Henrique Cardoso em viagem, nesta semana, ao Leste Europeu. Houve duas rodadas de negociações com representantes de nove empresas russas desse segmento químico.O que mais desperta o interesse dos russos são os extratos e essências naturais da flora brasileira, usados para a produção de perfumes e cosméticos. Os russos estão interessados em importar produtos prontos e também os óleos e extratos vegetais nativos, para formular localmente."Eles não podem exportar nada para a gente, porque a indústria está nascendo, pois antes era dominada pelo poder estatal. O segmento ainda vive uma fase de transição para o capital privado." Segundo Basilio da Silva, as negociações são ainda muito incipientes para que se tenha previsão sobre parcerias entre brasileiros e russos para produção no Brasil ou na Rússia.As vendas de cosméticos e produtos de higiene e beleza na Rússia alcançaram US$ 4 bilhões em 2001. Do total, apenas 35% do mercado pertence à indústria russa, formada por 62 empresas, e o demais é importado. Mesmo assim, o Brasil nunca entrou nesse mercado. O crescimento do mercado é de 20% ao ano, informou a associação russa de cosméticos e afins.As vendas no varejo no Brasil foram de US$ 9 bilhões no ano passado, a maior parte por conta da produção própria das cerca de 300 sócias da Abihpec. No Brasil o incremento é muito inferior ao da Rússia, porque o mercado já está formado. No ano passado, inclusive, o faturamento de US$ 3 bilhões foi 13,2% inferior ao de 2000."Voltamos mais otimistas do que fomos. Acreditamos que as informações que estamos trazendo ao Brasil despertarão o interesse das indústrias do segmento", observou hoje Basilio da Silva, que embarca de Frankfurt para o Brasil.

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