Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Brasil pode questionar EUA no caso da venda de frango ao Canadá

O Brasil poderá questionar os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) por causa de dificuldades criadas pelos norte-americanos para as exportações brasileiras de carne de frango para o Canadá.O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, disse nesta segunda-feira que, caso os EUA não recuem na pressão contra os produtos brasileiros em território canadense, poderá haver inclusive retaliação do Brasil, com suspensão de importações de produtos norte-americanos. "Esperamos não chegar a esse ponto, e também não definimos um prazo para a definição dos Estados Unidos, mas ele será curto", disse.InformaçõesHoje técnicos brasileiros enviaram aos norte-americanos informações detalhadas sobre a saúde do frango do País. O governo brasileiro vai esperar uma resposta para tomar as providências.Pratini, que fez palestra na Escola Superior de Guerra (ESG) no Rio, disse que o Brasil vem exportando cortes de frango para o Canadá em conseqüência de um acordo sanitário que permitiu acesso do produto brasileiro ao mercado canadense. No entanto, segundo o ministro, no final da semana passada o Brasil foi surpreendido pela informação de que os Estados Unidos estariam cancelando compras de frigoríficos canadenses que adquirem o frango brasileiro.Ele disse que a iniciativa norte-americana foi protecionista, tomada pelo temor de que compradores do país acabem se interessando pela carne brasileira ao experimentá-la via mercado canadense. Segundo o ministro, o problema surgiu em outubro mas só agora foi confirmada a informação da participação dos norte-americanos. A avaliação do ministro é que o Brasil tem ganhado muito espaço no comércio internacional de carne e alguns países têm reagido a esse sucesso com questionamentos sanitários. ChilePratini anunciou que o governo chileno liberou no domingo a entrada de cem caminhões carregados de carne bovina brasileira que estavam parados na fronteira do Brasil com aquele país desde quinta-feira passada. As 2 mil toneladas de carne foram impedidas de entrar no Chile sob alegação de risco sanitário no produto do Mato Grosso do Sul. O temor dos chilenos é de que a febre aftosa no Paraguai tenha contaminado o gado brasileiro.Em contrapartida à decisão chilena, o Brasil suspendeu as importações de salmão, frutas e vinho daquele país. A retaliação fez com que o Chile liberasse a entrada da carne transportada nos caminhões que estavam na fronteira, mas, segundo Pratini, a importação dos produtos chilenos só será liberada quando a carne brasileira estiver oficialmente considerada apta para consumo no Chile. "Se o Chile não quiser carne brasileira não compraremos seus produtos. Não aceitaremos imposição sanitária que não tenha a ver com aplicação rigorosa das normas sanitárias internacionais", disse.LulaSobre o futuro da agricultura no próximo governo, Pratini disse que "não há consulta oficial ou mesmo informal" de membros do governo petista para sua permanência no Ministério. O ministro fez a afirmação respondendo à pergunta sobre o motivo de várias notícias que vêm sendo veiculadas na imprensa sobre a possibilidade de sua permanência no governo a partir do próximo ano. "Considero isso uma lembrança de alguns amigos, pessoas com quem tenho convivido, mas meu único objetivo a partir de primeiro de janeiro é entrar de férias" disse.Pratini admitiu que concorda com as iniciativas que estão sendo propostas pelo PT para o combate à fome no País. "Qualquer pessoa de bom senso não pode conviver com a fome e a miséria, tudo que se fizer para acabar com isso será importante independente de sigla partidária", disse.No entanto, ele acredita que essas medidas devem incluir um esforço para a elevação da renda dos trabalhadores, devem ser transitórias e aplicadas de acordo com particularidades regionais. Para o ministro, a solução definitiva para o combate à fome é crescimento econômico. "Nós estamos crescendo muito devagar. Espero que ao lado destas políticas complementares o novo governo faça um esforço para o crescimento do País", afirmou.

Agencia Estado,

18 de novembro de 2002 | 18h39

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.