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Brasil pode recuperar grau de investimento em breve, diz Temer

Presidente afirmou que a retomada da confiança na economia já se reflete em alta significativa na Bolsa

Eduardo Rodrigues, Carla Araújo e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2016 | 10h42

BRASÍLIA - O presidente da República, Michel Temer, afirmou que a retomada da confiança na economia já se reflete em alta significativa na Bovespa e afirmou que o Brasil pode recuperar em breve o grau de investimento. Temer destacou a recuperação do valor de mercado da Petrobrás e do Banco do Brasil, além de outras empresas privadas listadas na Bolsa de Valores. Temer também citou que há uma previsão de safra "extraordinária" para o agronegócio brasileiro em 2017. "Isso pode fazer o Brasil voltar a ter grau de investimento", projetou, citando a melhora a nota de risco do País nos últimos meses. "Eu estou falando de seis, de quatro meses", detalhou.

"Algumas ações subiram mais de 200%. então esse clima de confiança vem repercutindo positivamente", afirmou, na abertura do seminário Infraestrutura e Desenvolvimento do Brasil, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo jornal Valor Econômico. Segundo ele, a BM&F Bovespa teve alta de 50% nos últimos meses e ainda não chegou ao seu patamar mais expressivo. "Está para sair 70 empresas que pretendem colocar ações no mercado, talvez 25 já no ano que vem", completou.

Para o presidente, grande problema do Brasil é  questão da confiança, mas citou que está trabalhado para trazer a iniciativa privada para dentro do governo, por meio das concessões.

"A confiança é fundamental porque gera até um fenômeno psicológico, enquanto a instabilidade gera dúvida no investidor. Mas não importa o que aconteça, porque o País é uma instituição. Se nós todos trabalharmos pelo País, ele ganha mais musculatura e mais força e segue adiante", avaliou.

Temer disse que os temas do seu governo são diálogo e reformas e que é necessário "reformar para crescer". "Essa é a ideia." O presidente citou ainda o acordo de repactuação trabalhista e disse que o Supremo Tribunal Federal tem dado decisões favoráveis à tese de que o acordado pode ficar acima do legislado. "Quando há desarmonia entre poderes há uma inconstitucionalidade", disse. 

Por mais de uma vez, o presidente disse que o governo precisa do apoio da iniciativa privada. "Com essa visão e essas ideias, e com o pleito de que devemos trabalhar juntos, é que venceremos os dramas verdadeiros", disse. 

Ao lembrar que está há cinco meses no poder e que teve sua passagem como interino, Temer disse ainda que não é possível corrigir todos os problemas no curto prazo.  "As pessoas querem que o novo governo assuma que dois meses depois o céu esteja azul, mas a retomada é paulatina, lenta", afirmou.

Por fim, ao afirmar que tem a "esperança" de que no segundo semestre de 2017 o PIB não seja negativo e haja a retomada do emprego, Temer brincou com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e disse que se o resultado não for alcançado "podem cobrar do Meirelles". 

No mesmo evento, Meirelles disse que o Brasil passa pela maior recessão desde quando o PIB passou a ser medido em 1901, superior até que a recessão vivida em 1929 e 1930 quando o País foi afetado pela chamada "Grande Depressão Mundial". "Nós vivemos a maior recessão da história do País e temos que partir dessa base realista para construir devagar a nossa retomada. Temos que ter consciência do tamanho da crise para podermos ser otimistas, porque poderemos avaliar também a velocidade da retomada e não criar expectativas de recuperação que não condizem com a realidade", afirmou. 

Ele defendeu novamente a PEC que cria um teto para a elevação dos gastos públicos federais e alertou que, sem a aprovação da medida, a dívida pública brasileira logo passará de 100% do PIB, o que seria "obviamente insustentável". Segundo o ministro, a PEC criará condições para uma queda estrutural da taxa de juros no País.

"O governo deixará de ser o grande absorvedor de poupança na economia e o viés inflacionário do gasto público desaparecerá. Com a PEC, haverá a redução estrutural de juros e a política monetária será mais eficaz", afirmou. "Os ciclos monetários no Brasil são muito duros e frequentes, com uma subida forte de juros. Temos que suavizar esse processo. Não deixaremos de ter ciclos econômicos no Brasil, mas precisamos suavizá-los e alongá-los", afirmou. 

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