Brasil pode reduzir juros se for preciso estimular economia, afirma relatório

O Brasil tem espaço para reduzir os juros, se for necessário estimular a economia, segundo avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI). A observação é apenas hipotética, nesse caso, porque a previsão de crescimento brasileiro foi elevada de 4,5% para 4,8% pelos economistas da instituição. Se a crise internacional produzir um estrago maior que o previsto na América Latina, vários países da região poderão recorrer à política monetária como primeira linha de defesa, segundo o Panorama Econômico Mundial divulgado ontem. Brasil, Chile, Colômbia e México são citados como países nessas condições.Nessas economias, segundo o FMI, a política de metas de inflação ganhou credibilidade e tem servido para ancorar as expectativas de evolução dos preços mais firmemente do que ocorria no passado. Será conveniente evitar o uso do estímulo monetário, no entanto, quando a inflação estiver acima da área definida como alvo, especialmente diante do risco de maiores altas dos preços de alimentos e do petróleo, advertem os autores do relatório. O câmbio flexível pode ajudar na contenção dos preços, como tem ocorrido em vários países com moeda valorizada. A escolha da política monetária como primeira linha de defesa contra o enfraquecimento da economia é uma recomendação genérica apresentada no relatório e enfatizada pelo economista-chefe do FMI, Simon Johnson. Os governos devem recorrer à política fiscal apenas como segunda linha. A indicação vale tanto para as economias avançadas quanto para as emergentes. Países com dívida pública em níveis mais sustentáveis podem ter algum espaço para recorrer ao estímulo fiscal, admitindo alguma ampliação do déficit orçamentário. Dentre os latino-americanos, só o Chile é citado como país com estrutura fiscal bastante robusta para adotar uma política orçamentária contracíclica.

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