Daniel Teixeira/Estadão
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Brasil pode registrar superávit comercial de US$ 45 bi a US$ 50 bi em 2016

Ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) afirmou que apesar da queda observada nas importações e nas exportações em 2016 o Brasil apresenta um saldo positivo na balança comercial

Mariana Durão, Broadcast

23 de novembro de 2016 | 13h07

RIO - O ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Marcos Jorge de Lima, afirmou, no Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex) 2016, que apesar da queda observada nas importações e nas exportações em 2016 o Brasil apresenta um saldo positivo de mais de US$ 40 bilhões na balança comercial de janeiro até a terceira semana de novembro e caminha para fechar o ano com um superávit de entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões.

É possível que o superávit ultrapasse o maior da série histórica iniciada em 1999, de US$ 46,456 bilhões, em 2006. No acumulado do ano, o superávit brasileiro é de US$ 40,399 bilhões, resultado de exportações de US$ 162,023 bilhões e importações de US$ 121,624 bilhões.

Segundo Lima, a atual gestão do MDIC está comprometida com a abertura do comércio internacional, desburocratização, competitividade e inovação. Ele destacou a criação do Grupo de Trabalho de Simplificação Administrativa e a busca por acordos com maior abrangência temática, a exemplo de acordos de facilitação de investimentos a serem assinados com Índia e Jordânia.

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o comércio exterior brasileiro precisa reduzir a dependência do câmbio e das commodities e reverter a trajetória de queda que abate as exportações nos últimos cinco anos. 

Castro lembrou ao abrir o encontro que o País terá forte superávit este ano - a última estimativa da AEB era de US$ 46,9 bilhões - mas que será "superávit negativo", resultado da queda intensa nas importações. Também destacou a incerteza gerada pela eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

O presidente da AEB frisou que hoje o Brasil tem o dobro de empresas importadoras em comparação às exportadoras. Ele traçou um cenário pessimista para o comércio exterior, lembrando que o País tem caído no ranking global de competitividade, chegando a 81ª posição em 2016 e não consegue aumentar a participação no comércio global, que hoje não chega a 2%. "Se a gente pudesse fingir que 2016 não existiu e pular para 2017 seria muito bom para nós", brincou.

Segundo Castro, a expectativa é de queda de 2% a 3% das exportações brasileiras em 2016 e de 1% a 1,5% nas vendas externas de produtos manufaturados.  "Hoje 60% do que o Brasil exporta vem das commodities, sobre as quais não temos controle. Temos que rezar em mandarim para que a China continue tendo saúde financeira e comprando nossas commodities", disse.

Para Castro, a melhora nas vendas de manufaturados depende exclusivamente da solução de questões domésticas. "Tenho uma teoria de que quem tem que ser competitivo são as empresas, não a taxa de câmbio. No momento o custo Brasil é muito elevado e dependemos do câmbio. Como ela não está ajudando muito, as exportações estão patinando", disse, destacando a importância de o País levar à frente reformas "atrasadas" como a tributária, trabalhista e o marco regulatório do setor portuário.

Castro destacou o fator Trump e o possível aumento de medidas protecionistas pelos Estados Unidos como um potencial problema para o qual o Brasil tem que estar preparado. Ele lembrou que os americanos respondem por mais da metade do superávit comercial da China, o que significa que o fechamento de portas naquele país pode inundar outros mercados com produtos chineses. O posicionamento dos Estados Unidos sobre o reconhecimento da China como economia de mercado, em dezembro, está sendo esperado pelo resto do mundo. 

"Isso vai provocar uma série de mudanças. O Brasil como outros países preferindo fingir que não participa desse mundo e esperando EUA se manifestarem", disse, explicando que como economia de mercado a China terá mais liberdade para praticar os preços que quiser. Hoje o país asiático é acusado de práticas como dumping por vários pares na Organização Mundial do Comércio (OMC). 

Castro também acredita que a saída do Reino Unido da União Europeia será negativa para o Brasil. O Brexit vai se refletir em novos acordos e diminuir a interlocução do Brasil, já que os britânicos tinham posicionamento mais aberto ao livre comércio, avaliou.

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