Brasil pode sair antes da recessão, diz 'Economist'

Reportagem aponta que País pode voltar a crescer 4% já em 2010, 'escapando da crise após breve recessão'

11 de junho de 2009 | 18h16

Um dos últimos a entrar em recessão, o Brasil pode estar entre os primeiros a sair dela, afirma uma reportagem publicada na revista The Economist nesta quinta-feira, 11. O texto cita a famosa frase de Lula "nunca antes na história deste país" para dizer que, para a fúria de seus oponentes, o presidente costuma estar certo quando diz que os dados positivos no País começaram após sua eleição, em 2002.

 

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"Pegue a taxa de juros: no dia 10 de junho o Banco Central cortou sua taxa básica, a Selic, para 9,25% ao ano, a primeira vez que a taxa atinge um dígito desde os anos 60", afirma o texto. Segundo a revista, uma série de indicadores, do patamar da bolsa de valores à criação de crédito, estão praticamente de volta aos níveis anteriores à quebra do banco Lehman Brothers em setembro do ano passado.

 

Além disso, diz o texto, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) - que caiu 0,8% no 1º trimestre ante o 4º trimestre de 2008 - vieram melhor que o esperado. "Muitos analistas acreditam que o Brasil está começando a crescer de novo, e vai voltar ao patamar de crescimento anual de 3,5% a 4% no próximo ano. Se isso acontecer, isso significaria que o País escapou da crise com apenas uma breve recessão."

 

Entre as razões para isso, a publicação cita que as políticas fiscal e monetária do governo estão acelerando a recuperação do País. Além disso, o sistema financeiro está saudável e a demanda doméstica continua robusta. O texto comenta ainda as mudanças no comércio exterior do País, que levaram a China a ultrapassar os Estados Unidos como maior parceiro comercial do Brasil.

 

Do outro lado, a Economist aponta que alguns problemas familiares estão de volta, como a valorização do real sobre o dólar. "Para os exportadores, a moeda está de novo dolorosamente forte, como estava antes de setembro." A taxa de juro real no Brasil também permanece alta e, segundo o texto, as cadernetas de poupança podem ser um obstáculo para que os juros continuem caindo.

 

"Mesmo assim, a situação 'nunca antes' do Brasil está levando a um movimento pouco usual de longo prazo. O Bradesco começou a oferecer financiamentos imobiliários de 30 anos, algo que seria impensável a pouco tempo atrás", diz o texto. "Coisas boas desse tipo podem ainda ser um pouco atrasadas por uma nova onda de contração em outros países. Mas o debate aqui é, na realidade, sobre quando elas vão acontecer, ao invés de se vão acontecer."

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