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Brasil pode sair do ‘coma’, diz Arminio

Ex-presidente do BC diz que três quartos da deterioração fiscal do País nos últimos anos decorreu do crescimento descontrolado dos gastos do governo.

Eduardo Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2016 | 06h00

O ex-presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso e sócio-fundador da Gávea Investimentos, Arminio Fraga, disse nesta quinta-feira, 19, que cerca de três quartos da deterioração fiscal do País nos últimos anos – que está no centro das causas da recessão brasileira – decorreu do crescimento descontrolado dos gastos do governo. “A dívida brasileira, que já era grande, se tornou explosiva”, avaliou, em palestra no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).

Na apresentação, Fraga mostrou que metade da piora de 6 pontos do PIB no resultado fiscal nos últimos anos veio do aumento dos gastos do governo. Os outros 50% vieram da queda de receitas, decorrente em iguais proporções das desonerações e da recessão. “Eu considero as desonerações uma forma de gasto, então três quartos dessa deterioração decorre de despesas do governo”, completou.

Tensão política. Na avaliação do economista, o quadro macroeconômico brasileiro é muito difícil e ainda enfrenta um nível elevado de tensão política em função dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Fraga destacou, no entanto, que as propostas do governo Michel Temer de criar um teto para as expansão dos gastos e reformar a Previdência estão no caminho certo.

“Acredito inclusive que o congelamento de gastos está acontecendo já em um patamar elevado. E a aprovação do teto de gastos depende também da aprovação da reforma da Previdência, que é um tema delicado, mas essencial. Uma não funciona sem a outra”, acrescentou. “O Brasil é um paciente politraumatizado que está saindo do coma, e com mais uma ou duas votações (no Congresso) pode deixar a UTI”, comparou.

Para Fraga, além das reformas, o Brasil precisa desmontar a chamada Nova Matriz Econômica implementada pelos governos do PT. “Houve a captura do Estado por interesses partidários e privados. Havia um pensamento de que “gasto é vida. Sem querer ser sarcástico, são tantos problemas que esse é um ‘prato cheio’ para o novo governo trabalhar”, concluiu.

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