Brasil pode sediar cúpula sindical se Lula vencer no 2º turno

A CTA (Confederação de Trabalhadores da Argentina) está planejando a realização de uma cúpula sindical da América Latina no Brasil, até o final do ano, para discutir as perspectivas que se abrem para a região latino-americana com uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A informação é do diretor de Relações Internacionais da CTA, Eduardo Menajosky. Segundo ele, a data exata da cúpula dependerá dos resultados do segundo turno das eleições.A expectativa do sindicalista é de que Lula possa participar do encontro que pretende traçar metas para os países latinos, com base na experiência do PT e de Lula no Brasil, no sentido de desenvolver a região. "Queremos falar de nossas inquietudes sobre o futuro do Mercosul", disse Eduardo Menajosky entusiasmado com as eleições brasileiras e um dos tantos simpatizantes argentinos do PT e de Lula que se reuniram para acompanhar, passo a passo, a apuração dos votos.No Sindicato Único de Trabalhadores da Educação de Buenos Aires (Suteba), os sindicalistas decoraram o auditório que mais parecia um comitê do candidato Lula. Para o secretário do sindicato, Roberto Baradel, "a vitória de Lula é uma possibilidade importante em termos de construção popular para mudar as regras do jogo que imperam neste país, durante décadas, de neoliberalismo". Segundo ele, o crescimento do PT no Brasil inspirou os sindicalistas à "construir um movimento político social que tenha a força de transformar a realidade que estamos vivendo porque a vitória de Lula criou em nós muitas expectativas , não só para a Argentina mas para toda América Latina. É a possibilidade de liberação dos povos sul-americanos".Em outro ponto da cidade de Buenos Aires, o líder do Partido Socialista, Hector Polino, também torceu pela vitória de Lula. Junto com os militantes do pequeno partido , Polino disse que "estamos muito contentes e festejando o triunfo de Lula porque argentinos e brasileiros, conjuntamente, poderemos consolidar nossa aliança estratégica, instalar o debate sobre a dívida externa e mostrar ao mundo que existem alternativas ao modelo neo-liberal que provocou a exclusão social aumentou a miséria em nossa região". Outro partido pequeno, o Esquerda Unida, apóia o candidato Lula mas faz algumas ressalvas como as alianças com empresários e com "pessoas como Sarney e o vice José de Alencar". O partido diz que os "piqueteiros e operários argentinos alertam os companheiros brasileiros para que substituam esta aliança de Lula com empresários pelo povo".O líder dos piqueteiros, o deputado Luis D´Elia, também demonstrava satisfação pelos resultados eleitorais. Admirador confesso de Lula, D´Elia batizou seu filho como Luiz Inácio, "em homenagem ao petista brasileiro que sempre respeitamos pela sua luta, desde os tempos da ditadura", disse o sindicalista. Lula conquistou a simpatia de muitos argentinos durante sua passagem pelo país, em 89, à convite do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de San Martin. Ele veio para fazer uma palestra e percorreu bairros pobres e fábricas de Buenos Aires.Exibindo uma camiseta do PT, o jovem Gabriel Puricelli, do Grupo Reconstrução, de profissionais de esquerda, afirma que a vitória de Lula demonstra que "não pode haver desespero para chegar ao governo, e sim construir o caminho com paciência, persistência e eficiência, para não repetir o erro do Frepaso (Frente País Solidário)", partido de oposição que se uniu com a UCR (União Cívica Radical), para eleger Fernando De la Rúa e Carlos Chacho Álvarez.

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