Brasil pode subir para 3º no ranking de maior pagador de juros reais

Estudo mostra que, caso a Selic continue em 7,25%, a taxa de juro real brasileira ficará em 1,8%, menor que a chilena e a chinesa

Olívia Bulla, da Agência Estado,

28 de novembro de 2012 | 11h28

SÃO PAULO - Se a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, for mantida inalterada na noite desta quarta-feira, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar sua decisão, o Brasil subirá uma posição no ranking mundial de juros reais, passando de quarto para o terceiro maior pagador.

Por sua vez, se a decisão for pela manutenção no ritmo de afrouxamento monetário, com uma nova redução de 0,25 ponto porcentual para 7,00%, o País cairia à quinta colocação na lista. 

É o que aponta levantamento feito pelos economistas Jason Vieira e Thiago Davino, considerando-se as taxas praticadas em 40 países do mundo, classificadas conforme as taxas de juros nominais determinadas pelos respectivos bancos centrais e as projeções médias de inflação futura (ex ante) dos índices oficiais de preços.

De acordo com o estudo, a taxa de juro real brasileira é de 1,8% - considerando-se a taxa nominal de 7,25% da Selic e descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses. A posição do Brasil estaria atrás apenas de Chile (2,0%) e China (4,2%), no mesmo critério. No ranking anterior, de outubro, o Brasil ocupava a quarta colocação, tanto nos casos de Selic em 7,50% quanto no cenário de corte de 0,25 ponto porcentual, que se concretizou. Na ocasião, Austrália duelava com o Brasil, com uma taxa de juro real de 2,0%.

Em contrapartida, um improvável corte de 0,25 ponto percentual na Selic hoje rebaixaria o Brasil em um degrau no ranking de juros reais, atrás também de Malásia (1,7%) e Rússia (1,6%). Porém, pesquisa realizada pelo AE Projeções mostra que 81 de 82 instituições trabalham com a Selic estagnada em 7,25% ao ano neste última reunião do Copom de 2012. Aliás, de 75 instituições, pouco mais da metade (42) acredita que o Copom não vai mexer na taxa em 2013.

Juro nominal

Levando-se em conta a taxa de juro em termos nominais, de 7,25%, o Brasil ocupa a quarta colocação, conforme estudos dos economistas Vieira e Davino. O ranking é liderado pela Venezuela, onde a taxa de juro nominal está em 16,20%, seguida por Argentina (9,00%) e Rússia (8,25%).

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