Brasil pode ter 60 projetos da China

Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China mostra que valor anunciado chega a US$ 68,4 bi

FERNANDA GUIMARÃES, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h08

Pesquisa divulgada ontem pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) mostra que há hoje no País 60 projetos anunciados por empresas chinesas, com um valor total de US$ 68,4 bilhões. Desses, 39 já foram confirmados e significarão investimentos de US$ 24,4 bilhões. O economista e consultor do CEBC Cláudio Frischtak destacou que, ao todo, 44 companhias chinesas anunciaram aportes no País.

Frischtak destacou que uma mudança recente são os novos interesses da China no Brasil, que eram, até 2010, apenas em recursos naturais. Hoje, a procura por recursos continua, mas as companhias também estão interessadas no mercado brasileiro e em ativos estratégicos.

O estudo indica que o fluxo comercial entre Brasil e China deverá fechar 2012 em US$ 78 bilhões, ante US$ 77 bilhões em 2011. De acordo com Frischtak, esse montante significa que haverá uma aceleração do fluxo comercial entre os dois países no último bimestre do ano para compensar os números mais baixos nos dez primeiros meses. A China é o maior parceiro comercial do Brasil.

Setor elétrico. As empresas chinesas que investem no setor de energia elétrica no Brasil deverão refazer seus cálculos econômicos e financeiros para mensurar a viabilidade dos negócios após a edição da Medida Provisória (MP) n.º 579, que trata da prorrogação dos contratos de energia elétrica a uma receita menor. A afirmação foi feita pelo embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, após ter participado da abertura da 4.ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), ontem, em São Paulo.

O embaixador fez questão de salientar que o governo chinês apoia os investimentos de suas empresas fora da China, mas que são, em última instância, as empresas que operam e decidem. O embaixador evitou a polêmica ao ser questionado sobre o que pensa das "mudanças de regras". Questionado se essas alterações não assustavam as empresas de seu país, o embaixador disse que "qualquer investidor gosta de um ambiente estável e transparente, mas eu acho que o governo brasileiro está caminhando nesta direção."

A principal chinesa em atuação no setor é a State Grid, que chegou ao Brasil em 2010, quando comprou ativos da Plena Transmissora por cerca de R$ 3 bilhões. Em maio deste ano, adquiriu sete ativos de transmissão no País da espanhola ACS, por cerca de R$ 2 bilhões.

Além disso, a empresa participou de leilões de linhas de transmissão e venceu, em dezembro do ano passado, um lote para construção de duas subestações em consórcio com a estatal Furnas, do grupo Eletrobras. Em março deste ano, em parceria com a Copel, venceu mais dois lotes de transmissão, correspondentes a ativos que farão a interconexão das hidrelétricas do Rio Teles Pires. Agora empresa estaria estudando novas parceiras para a disputa dos próximos leilões, em especial daqueles que ofertarão os sistemas de conexão da usina de Belo Monte.

Além da State Grid, a China Three Gorges possui, indiretamente, ativos no País, uma vez que, com a compra de fatia da EDP Portugal, consumada no início deste ano, passou a detém pouco mais de 10% de participação indireta na EDP Energias do Brasil.

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