Brasil pode ter novo racionamento em 2008, diz estudo

Segundo especialista do setor, risco de racionamento de energia aumentará se houver seca no verão

Alaor Barbosa, da Agência Estado,

22 de outubro de 2007 | 16h26

O risco de o Brasil ter racionamento de energia elétrica já no ano que vem aumentou, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira, 22, pelo Instituto Acende Brasil, entidade criada para fazer o acompanhamento do setor elétrico brasileiro e mantida por grandes empresas do setor, incluindo geradoras, distribuidoras e empresas de transmissão.   "Tudo vai depender de São Pedro. Se as chuvas do próximo verão forem favoráveis, não teremos problemas. Se for um período de seca, há riscos de faltar energia já no ano que vem", resumiu o especialista Mário Veiga, da PSR Consultoria, responsável pelo estudo do Acende Brasil.   O trabalho estima o chamado "risco de déficit" em 9% para 2008, quase o dobro dos dados divulgados em julho pela mesma entidade, que previa o patamar de 5%. Para 2009, o risco subiu de 6,5% para 8%, mas houve melhoria nas estimativas para 2010 (de 11,6% para 8%) e 2011 (de 28% para 14%).   O presidente do Acende Brasil, Cláudio Sales, disse que o risco ficou mais evidente nos últimos três meses, após o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reconhecer oficialmente o atraso em algumas usinas hidrelétricas e as dificuldades no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa).   Cálculos   As estimativas da PSR estão acima dos níveis de risco considerados aceitáveis pelo governo, que fixa o teto máximo em 5%. Estão também acima dos cálculos do ONS e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgãos do governo responsáveis pela operação e pela expansão da oferta de energia no País. O ONS trabalha com o patamar de 6,8% de risco de déficit para 2008 e riscos crescentes para os anos seguintes, subindo para 7,2% em 2009 e 10% em 2010. Pelos cálculos da EPE, os riscos de 2008 ficariam em 3,3%, subindo para 3,8% em 2009 e 5,7% em 2010.   Veiga disse que as diferenças entre o ONS, a EPE e o estudo divulgado nesta segunda pelo Acende Brasil refletem avaliações diversas sobre a efetiva quantidade de energia que o Brasil dispõe para atender ao crescimento da demanda. Assim é que o ONS adota a estratégia de "cortes preventivos" na oferta de energia, antes de os reservatórios das hidrelétricas ficarem completamente vazios. A EPE assume que o racionamento é uma última medida e só viria com o esvaziamento dos reservatórios.   Já a PSR considera que há um desequilíbrio entre a oferta e a demanda no sistema elétrico brasileiro de pelo menos 2.600 megawatts (MW) médios para 2008. "Se as chuvas não forem favoráveis, não há como cobrir esse desequilíbrio entre a oferta e a demanda", acentuou.

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