Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Brasil pode ter postura mais ofensiva na política externa, diz ministro

Armando Monteiro afirmou que a reaproximação com os Estados Unidos não significa o abandono da política voltada para emergentes

Anne Warth, Rafael Moraes Moura e Renata Veríssimo, O Estado de S. Paulo

09 Fevereiro 2015 | 21h05

BRASÍLIA - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, disse nesta segunda-feira, 9, que o País pode ter uma postura mais ofensiva e pragmática em sua política externa. "Há uma rede de acordos internacionais que o Brasil pode integrar mais, o que ajudaria nas condições de acesso dos produtos brasileiros em diversos mercados", afirmou.

O ministro citou como exemplo os Estados Unidos, um "parceiro estratégico" para o País. Segundo ele, boa parte das exportações brasileiras para os EUA são compostas por produtos manufaturados, enquanto as vendas externas para a China são preponderantemente compostas por commodities agrícolas e metálicas.


"Não temos, a rigor, problemas tarifários para ingressar nos EUA. As tarifas médias são baixas, em torno de menos de 5%", afirmou. O ministro disse, porém, que as condições de acesso dos produtos brasileiros no mercado americano exigem esforços em torno de convergências regulatórias e de harmonização de normas técnicas de qualidade. "É possível trabalhar nessa agenda, com ganhos que podem gerar oportunidades no curto prazo com o Brasil."

O ministro disse que a reaproximação do Brasil com os Estados Unidos não representa o abandono da antiga política externa, voltada a países em desenvolvimento. "O Brasil precisa se associar mais aos fluxos de comércio em regiões de maior dinamismo no mundo. Os EUA voltaram a crescer, e isso tem grande impacto no comércio internacional", afirmou. "É um reconhecimento de áreas que já foram mais dinâmicas no passado hoje não o são por razões diversas."

Segundo Monteiro, a presidente Dilma Rousseff expressou aos empresários a confiança de que o governo vai adotar as medidas de ajuste necessárias para trazer resultados para a economia. De acordo com ele, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) vai se reunir trimestralmente, e a presidente assegurou que vai participar de todos os encontros. "A presidente confia em algumas manifestações do setor privado que acham que a economia vai reagir em um prazo razoavelmente curto", afirmou Monteiro. 

O ministro disse que o ano de 2015 será difícil, pois as medidas de ajuste impõem um horizonte de restrições. Ele ressaltou, porém, a importância de reverter as expectativas para obter resultados econômicos melhores. "Não vamos ficar dizendo que já vamos ter um ano de recuperação rápida e de crescimento, mas o fato é que a economia vive mais de expectativas do que de fatos físicos presentes", disse. 

"O elemento expectativa será decisivo para que as medidas de ajuste produzam resultados. Se melhorarmos a confiança e as expectativas, isso logo terá efeito, pois as decisões de investimento não acontecem apenas olhando o curto prazo e resultados do PIB do ano corrente, mas sim com um olhar de mais largo tempo", disse. "Se essas medidas estiverem na direção correta, logo, logo a confiança e os investimentos retornam. E investimento é o mais importante para retomar o crescimento da economia."

Sobre energia, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, expôs aos empresários aspectos estruturais sobre a oferta e traçou um quadro realista para o setor. "É um quadro que nos aponta uma perspectiva de confiança com relação à oferta de energia", afirmou. "Evidentemente que os empresários estão preocupados, mas confiantes de que há situações estruturais na oferta de energia que nos dão horizonte razoável." 

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