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Brasil pode ter recessão com restrição de capital, diz FGV

Pesquisa mostra que a AL entrou em fase recessiva e o Brasil experimenta um declínio do ciclo econômico

ALESSANDRA SARAIVA, Agencia Estado

24 de novembro de 2008 | 08h39

A restrição de capital foi um dos problemas apontados por analistas da América Latina que podem conduzir o Brasil a um cenário de recessão. É o que mostra a Sondagem Econômica da América Latina, feita em parceria pelo Institute for Economic Research at the University of Munich, ou Instituto IFO, e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A pesquisa trimestral, divulgada nesta segunda-feira, 24, mostra que o Índice de Clima Econômico (ICE) do Brasil caiu de 6,2 pontos para 5,8 pontos, do segundo para o terceiro trimestre deste ano - sendo que resultados abaixo de 5 pontos são sinalizações de um cenário ruim. Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise As expectativas de analistas da América Latina quanto ao futuro da economia na região são as piores dos últimos 11 anos. Segundo as instituições, o Índice de Clima Econômico (ICE) da América Latina, elaborado em parceria entre o instituto alemão IFO e a FGV, atingiu patamar de 3,4 pontos em outubro deste ano, abaixo do resultado anterior da mesma pesquisa, trimestral, referente a julho (4,6 pontos).  Na análise das duas entidades, o mundo permanece em fase recessiva e com piora nos indicadores. A avaliação das instituições é de que a América Latina entra em fase recessiva e o Brasil experimenta uma fase declinante do ciclo econômico.  "No entanto, a piora nos índices de expectativas para o Brasil sugere que é preciso que as medidas recentes de aumento do crédito comecem a fazer efeito para enfrentar um dos problemas privilegiados pelos especialistas - a restrição de capital - e, assim evitar a fase recessiva", informaram as entidades, em comunicado. Entre outros problemas para a economia da América Latina em geral, citados por 131 especialistas de 15 países, foram lembrados, principalmente, obstáculos como inflação; insuficiência de demanda; e falta de confiança nas políticas do governo. Na sondagem, a inflação aparece em primeiro lugar como o problema mais lembrado por especialistas, ao citar obstáculos para o crescimento econômico da América Latina.  Declínio da América Latina Em comunicado, as instituições informam que o ICE da América Latina está em declínio desde outubro de 2007. Entretanto, as organizações afirmam que, entre as sondagens de julho e outubro de 2008, o ICE "registrou a sua maior queda". Em comunicado, as entidades informam que, "na série histórica iniciada em outubro de 1997, o índice está próximo ao valor mais baixo já registrado - 3,3 pontos, em outubro de 1998".O ICE da América Latina é construído como uma combinação de dois índices que medem a situação econômica atual e as expectativas para os próximos seis meses. O Índice da Situação Atual (ISA) atingiu patamar de 4,2 pontos em outubro, após apresentar 5,7 pontos em julho. O Índice de Expectativas (IE) passou de 3,4 pontos em julho para 2,5 pontos em outubro. Esses índices estão abaixo de suas respectivas médias históricas nos últimos 10 anos.Ainda na análise das instituições, com estes resultados, o ICE da América Latina, que vinha se mantendo superior à média mundial desde outubro de 2007, igualou-se ao ICE global. "A piora no clima econômico tendeu, portanto, a se espalhar nas economias, levando a um cenário que pode ser descrito como de tendência recessiva global", informaram as entidades, em comunicado.A Sondagem Econômica da América Latina serve ao monitoramento e antecipação de tendências econômicas, com base em informações prestadas trimestralmente por especialistas nas economias de seus respectivos países. A pesquisa é aplicada com a mesma metodologia - simultaneamente - em todos os países da região. Em outubro, foram consultados 131 especialistas em 15 países.

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